Além das mudanças climáticas que ocorrem durante o ano, outro fator que exige nossa atenção é o horário de verão, que torna os dias mais longos e provoca algumas alterações no cotidiano das pessoas. O desconforto dos primeiros dias pode ser amenizado com hábitos que ajudam o corpo a entrar nesta nova rotina. As sugestões para vivenciar essa mudança são simples, como a prática de exercícios, dormir e acordar mais cedo, além de algumas mudanças na alimentação.

Muitas pessoas aproveitam o novo horário para começar a se exercitar. É o caso de Evanilda Basso, que sai para fazer caminhadas em companhia de seus dois cachorrinhos. “Quando chega a tardinha eles já começam a se agitar porque sabem está na hora de passear”, relatou.

Tem quem prefere os passeios de bicicleta. Adriano Cerutti aproveita as tardes mais longas do horário de verão para pedalar com o filho Lorenzo Trevisol Cerutti.

O horário de verão é propício para a prática de atividades físicas, mas algumas pessoas têm dificuldades de adaptação, principalmente as crianças. Cerutti destacou que o filho tem se adaptado bem, só tem um pouco mais de dificuldades para dormir e acordar mais cedo.

 

Adaptação

Conforme a psicóloga Loren Aita Riss, além do adiantamento do relógio, existe a necessidade de adequação do organismo, já que podem ocorrer interferências no sono, irritabilidade, instabilidade do humor, dores de cabeça e estresse. “Como toda mudança, é necessário um tempo para novas adaptações. Assim, cada indivíduo passa a descobrir como ajustar suas atividades diárias, incluindo os exercícios físicos, por exemplo. Toda atividade realizada a fim de diminuir o estresse deve ser feita com prazer, sem a cobrança das tarefas, sejam elas estudantis e profissionais”, disse, acrescentando que é necessária organização individual para conciliar tais atividades para que as horas a mais que ganhamos com o horário de verão sejam bem aproveitadas.

Caminhadas no fim da tarde, andar de bicicleta e planejar um fim de semana com a família podem contribuir no combate ao estresse, assim como os possíveis efeitos negativos que o horário de verão possa apresentar para algumas pessoas.

Caminhadas

Com a chegada do horário de verão, muitas pessoas optam por realizar caminhadas à tardinha. Conforme o professor do Curso de Educação Física da Universidade Regional Integrada (URI) – campus de Frederico Westphalen, Luciano Panosso, a caminhada melhora a circulação sanguínea, o funcionamento do coração e os sistemas respiratório e muscular. “Ocorre uma melhoria da saúde em geral do praticante. Porém, todos estes benefícios somente serão alcançados caso a caminhada esteja sendo feita na ‘dose’ correta”, explicou.

Aqueles que têm pouco tempo devido ao trabalho e estudos podem optar por um bom programa de atividades físicas, contendo atividades aeróbicas, exercícios de força (como a musculação) e atividades que liberem o estresse acumulado no dia a dia (um bom joguinho de qualquer esporte). Assim, quem não tem muito tempo poderia optar por um ou por outro dentre os tipos de atividades físicas.

Hidratação

Durante o verão perdemos grande quantidade de água e sais minerais. Quando estamos desidratados pode ocorrer um aumento da temperatura corporal, dor de cabeça, fadiga e fraqueza. É importante dar atenção aos alimentos e bebidas que fazem desidratar (café, refrigerantes de cola, embutidos, molho de soja e outros alimentos industrializados ricos em sódio). Os principais sinais da desidratação são a boca seca, os lábios rachados e a urina escura.

Segundo a nutricionista Rúbia Garcia Deon, a quantidade ideal de ingestão de água durante o dia é, em média, dois litros para um adulto. Uma dica para não esquecer a hidratação durante o verão é carregar uma garrafinha de água, uma squeeze ou ainda dividir a quantidade de água em copos (ingerir oito por dia).

Cardápio de Verão

O verão é o momento de eliminar os excessos acumulados durante o inverno. É a época que inicia uma corrida pela boa forma e surgem programas alimentares com promessas milagrosas de perda de muitos quilos em pouco tempo. Mas o ideal é fracionar as refeições diárias, comendo mais vezes e em menos quantidades, além de fazer uma alimentação saudável, leve e de sabores suaves. 

De acordo com Rúbia, é importante o consumo de carnes brancas e magras, uma ingestão variada de frutas, verduras e legumes. “Uma dica é abusar dos sucos com misturas de sabores, como mamão e cenoura, abacaxi e hortelã, couve e limão, entre outros, que além de refrescantes, auxiliam na hidratação. Outra boa opção são as sementes de chia e linhaça, que são fontes de ômega-3, além das oleaginosas (como nozes e castanhas), que contêm proteínas e antioxidantes. E aquelas pessoas que querem um bronzeado intenso e duradouro devem consumir alimentos de cor vermelha ou laranja (cenoura, abóbora, manga, pêssego, tomate, entre outros), que são ricos em betacaroteno e licopeno”, disse.

Também é essencial cuidar da hidratação, através da ingestão de água, sucos naturais e água de coco. O consumo de frituras, alimentos gordurosos, doces e bebidas alcoólicas devem ser evitados, pois são pesados e de difícil digestão.

Alimentação noturna

Segundo Rúbia, o maior erro cometido na alimentação noturna é a refeição exagerada ou a ingestão de alimentos de alta densidade calórica. Este hábito pode provocar digestão mais prolongada – que pode atrapalhar o sono – aumento de peso, insônia, má digestão, refluxo, apneia do sono e algumas doenças respiratórias.

Devem ser evitadas a ingestão de bebidas estimulantes (chocolate, café, chá preto, chimarrão, guaraná, refrigerantes à base de coca, doces, entre outros), alimentos gordurosos (linguiça, salame, salsicha, hambúrguer, frituras em geral, doces concentrados, creme de leite, entre outros), carboidratos simples (pão, arroz, batata, macarrão, entre outros) e bebidas alcoólicas.

O ideal é que a refeição seja realizada no mínimo duas horas antes de se deitar. Refeições mais leves, com menor valor calórico, teor de gordura, sódio e açúcar podem ser feitas mais tarde.

 

Horário de verão traz economia

– O horário de verão vai até 16 de fevereiro de 2014 e tem o objetivo de reduzir os gastos de energia elétrica no país

– A estimativa é que aconteça uma economia de R$ 400 milhões em energia neste período, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)

– O gasto de energia elétrica nas residências pode chegar a uma redução de 10% no valor da conta