As transformações do mundo e da sociedade trouxeram consigo novas necessidades de adaptações e, uma delas, é a de adaptar-se à era tecnológica. A tecnologia se apresenta como uma ferramenta útil e até mesmo indispensável no nosso dia a dia, em que através dela podemos comprar produtos, comparar preços, realizar pagamentos instantâneos, pesquisar sobre assuntos corriqueiros – como verificar a previsão do tempo, procurar uma receita culinária, ler notícias, entre outras diversas possibilidades. 

A tecnologia digital tem um público variado, ou seja, vemos crianças assistindo vídeos em canais do Youtube, adolescentes se comunicando nas redes sociais, adultos trabalhando nas plataformas digitais, mas e os idosos? Apesar das pessoas idosas terem mais dificuldades em relação à tecnologia, por não serem os chamados nativos digitais, eles também se fazem presentes no mundo da tecnologia digital.

Com a inclusão digital, a população superior aos 60 anos tem acessado cada vez mais os aplicativos e sites da internet. De acordo com o IBGE, o Brasil possui 28 milhões de idosos, cerca de 13% da população total. Enquanto isso, a OMS estima que até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas.

- Pesquisas indicam que os idosos que fazem uso das tecnologias digitais podem ter menos sentimentos de solidão e de depressão, na medida em que a tecnologia propicia o “estar conectado com as pessoas”, o que pode ser uma boa estratégia para evitar e prevenir estes sentimentos, uma vez que o processo de envelhecimento pode propiciar que as pessoas diminuam as suas redes de relacionamentos, em decorrência da aposentadoria, da perda de familiares e amigos, a saída dos filhos do contexto familiar, dentre outros motivos -, destacou a psicóloga, Estéfani Medeiros. 

Levando em consideração o momento que estamos vivenciando, a maioria dos idosos está passando mais tempo em casa e a tecnologia tem ajudado a milhares de aposentados em tarefas do dia a dia, bem como, auxilia na maior aproximação com a família, por meio de chamadas vídeos e fotos instantâneas. Transferir dinheiro, organizar a rotina, marcar consultas médicas e físicas nunca foi tão fácil e, para exemplificar, apresentamos cinco aplicativos que podem fazer a diferença no cotidiano da terceira idade.

iDosos – Considerando que muitos idosos não têm tanta facilidade para mexer em produtos tecnológicos, o iDosos oferece esta facilidade, a fim de promover tutoriais interativos que explicam as funções básicas de um smartphone. Há também a narração em áudio com o passo a passo e está disponível gratuitamente para Android.

LastPass – Este aplicativo surgiu como uma forma para organizar senhas e logins em um só lugar. O acesso é criptografado e só o usuário consegue entrar, oferecendo total segurança ao internauta. Disponível para Android e iOS. 

Prestho – um aplicativo de crédito consignado personalizado para pessoas acima de 61 anos. A tecnologia foi desenvolvida para ajudar o idoso a se sentir à vontade no mundo digital. O usuário consegue ter acesso facilitado para simular e contratar um empréstimo ou solicitar um cartão de crédito consignado, 24h do dia, todos os dias do ano, sem interferência de outra pessoa e sem precisar se locomover até o banco. O objetivo do aplicativo é ser transparente e dar autonomia para que o usuário entenda a operação de crédito e a contrate de forma consciente. 

MyTherapy – é um dispositivo disponível para tablets e celulares que ajuda a administrar o uso de medicamentos, além de consultas médicas. Ele envia lembretes sobre os horários e orienta também sobre o tempo recomendado para realizar atividades físicas. É possível gerenciar o plano de saúde, incluir sintomas clínicos e ficar ciente sobre o tempo de duração desses efeitos. 

Easy Idoso – conta com um catálogo de atividade físicas para a população idosa. O aplicativo que pode ser baixado no celular ou tablet e está disponível gratuitamente para Android e iOS. Apresenta e oferece estabelecimentos de saúde, casas de repouso, associações de terceira idade, centros de beleza e atividades de entretenimento. 

- De acordo com alguns estudiosos, a diminuição da solidão pode ser um fator primordial para a qualidade de vida da pessoa idosa, tanto no que se refere à saúde física, quanto mental. O sentimento de “estar só” pode gerar emoções reprimidas, ou até mesmo a depressão, como quadro clínico, pode reduzir o prazer em atividades que antes eram percebidas como prazerosas e pode levar os idosos a recorrerem ao uso e abuso de álcool e outras substâncias psicoativas. Outros benefícios destacados pela literatura recente, são a estimulação cerebral, a melhoria da comunicação, a manutenção da autonomia da pessoa idosa e o sentimento de pertencimento e inclusão social. Vale lembrar que o processo de envelhecimento é algo singular e cada indivíduo irá vivenciá-lo de uma maneira diferente. Embora a tecnologia digital não seja a única desencadeadora de qualidade de vida da pessoa idosa, ela é uma grande aliada e pode proporcionar inúmeros benefícios -, finalizou a psicóloga.