Tramita desde maio de 2011 no Fórum de Seberi, processo de homicídio doloso movido pelo Ministério Público (MP) contra G.H.B. e L.P., ambos de 24 anos, apontados como responsáveis pela morte de Julio Cesar Babinski, ocorrida na madrugada de 3 de abril de 2010, em Erval Seco, durante o retorno de uma festa realizada no município.

Na época, a vítima tinha 17 anos e morreu em um acidente de trânsito no quilômetro 10 da ERS-585. A VW/Saveiro na qual Julio era transportado – conduzida por G.H.B. – teria saído da pista e capotado após o motorista perder o controle do veículo, no sentido Erval Seco-Seberi, segundo G.H.B., por conta das luzes altas vindas de dois veículos que vinham na direção contrária. Um desses veículos estaria tentando ultrapassar o outro. 

Na tarde do último dia 30 de janeiro, foi realizada audiência de interrogatório a G.H.B. e L.P. Segundo a acusação, os dois assumiram o risco de causar a morte da vítima. Além disso, G.H.B. também responde por fornecer bebida alcoólica a menores de idade.

O juiz de Direito da Comarca de Seberi, Marco Aurélio Antunes dos Santos, informou em entrevista ao jornal Folha do Noroeste que o caso não foi encerrado naquela tarde porque a assistência de acusação solicitou que a operadora de telefonia apontasse de qual torre foi acionado o serviço de socorro após o acidente. “Depois disso vamos ter uma decisão se o caso vai a julgamento pelo Tribunal do Júri. Haverá, com certeza, mais uns 90 ou 120 dias até que o processo tenha uma decisão se o caso vai ou não a júri popular”, explicou o magistrado.

De acordo com o juiz, às vezes as pessoas se revoltam devido à morosidade com que correm os processos na Justiça. “Para se ter uma ideia, neste caso, muitas testemunhas foram inquiridas em outras Comarcas. A última testemunha ouvida foi em Dois Irmãos, Rio Grande do Sul, em novembro de 2013. Somente a partir dessa data pudemos marcar essa audiência de quinta-feira”, observou.

A denúncia do Ministério Público indica que os acusados não agiram para tentar evitar a morte de Julio, que foi arremessado da carroceria da caminhonete e teve traumatismo abdominal e hemorragia. Já a parte de defesa afirma que o jovem estava na cabine do veículo. L.P. não estava na Saveiro, pois dirigia um Gol que seguia logo atrás da caminhonete. Ainda conforme o processo, os dois motoristas teriam se recusado a levar a vítima dentro dos carros porque ela estaria vomitando em consequência do excesso de ingestão de bebida alcoólica na ocasião, mesmo estado em que o motorista da caminhonete também estaria. Depois do tombamento, Julio teria sido arremessado para a vegetação às margens da rodovia.

Cristiane Luza