Vinte e dois anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, foi a pena fixada para Luiz Carlos Godoy Inglez, 40 anos, acusado de matar com 14 facadas e ocultar o cadáver de Dirlei Cavalheiro, 36 anos. Na cadeia desde 3 de junho de 2017, o réu foi submetido a júri popular nesta terça-feira, 11 de junho, em sessão presidida pelo juiz de Direito Alejandro Rayo no Fórum da Comarca de Frederico Westphalen. Da decisão cabe recurso.

Familiares e amigos da mulher, além de estudantes de Direito e pessoas da comunidade, estiveram presentes. Para o somatório da pena, os sete jurados consideraram a ocultação de cadáver e homicídio quadruplamente qualificado por feminicídio, motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Atuaram na acusação, o promotor de Justiça Denis Gitrone e o advogado Demetryus Grapiglia como assistente. Já a defesa foi feita pela defensora pública Amanda Amaral.

Relembre

O crime ocorreu no dia 29 de maio de 2017, no apartamento do réu, no Centro de Frederico Westphalen. Quando preso pela Polícia Civil, confessou autoria, alegando que foi motivado por ciúmes da vítima, com quem disse manter um relacionamento extraconjugal, já que era casada. Na época, seu companheiro estava em outra cidade. Em juízo, afirmou que agiu em legítima defesa e que ela teria avançado sobre ele durante um desentendimento. Colocou o corpo em uma caixa de papelão, tapou a cabeça com um saco plástico, o levou a seu carro, um Ford/Ka preto, e o transportou até as proximidades da ponte sobre o rio da Várzea, onde atravessou a BR-386 carregando a pé o cadáver e o deixou em um matagal às margens da rodovia. Citou que inicialmente teria saído com a intenção de cometer suicídio durante a viagem, mas mudou de ideia. Jogou a faca usada e os pertences pessoais da vítima nas águas, e no dia seguinte, levou o carro para lavar em Seberi.

Indígenas encontraram o cadáver em um matagal próximo à ponte sobre o rio da Várzea, ainda no município, na tarde de 2 de junho, três dias após a família registrar o desaparecimento. No laudo, o perito que analisou o cadáver assinalou a crueldade com que a mulher foi morta, com 14 facadas desferidas pelas costas, atingindo-a principalmente na região cervical e na nuca, além de não apresentar qualquer sinal típico de defesa.

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