Apreciadores de cervejas pelo país afora com certeza já ouviram falar do lúpulo. Porém, os registros de seu aparecimento no Brasil são históricos, datados de 1880. Há cerca de 10 anos, seu cultivo ganhou destaque nacional devido ao aumento das cervejarias, principalmente, as artesanais, que fizeram com que o cervejeiro procurasse matérias-primas locais para a produção da bebida. Dados não oficiais apontam que hoje há, aproximadamente, 50 hectares de produção de lúpulo no país, distribuídos pelo território nacional.

Atualmente, quase a totalidade do lúpulo utilizado no país é importada. Conforme o tecnólogo em Agrozotecnia e mestre em Educação, Cleber Renato Zortea, de Rodeio Bonito, sócio-proprietário junto com Tiago Noronha, da Zortea Consultoria Agronômica, “já há registros de produção de lúpulo na região e em fase de testes em Seberi e Frederico Westphalen, além de um projeto iniciando em Ametista do Sul”.

O que é?

O lúpulo é uma planta dioica, perene na parte subterrânea e anual quanto à parte área. Apresenta hábito trepador, podendo ultrapassar os 6 metros de altura. “Por isso faz-se a orientação de haver um sistema de tutoramento da cultura para que melhor possa expressar seu potencial produtivo”, explica Mariana Mendes Fagherazzi, engenheira agrônoma e pesquisadora do lúpulo. Os sistemas de condução podem ser latada ou treliça. “Recomenda-se que as plantas para implantação de um novo campo sejam plantadas na saída do inverno, época em que as condições ambientais são mais propícias para o seu desenvolvimento”, completa.

O lúpulo é utilizado, majoritariamente, para fins cervejeiros, porém, também pode ser usado na indústria de cosméticos, fármacos, dentre outras. É uma cultura de alto valor agregado e com um mercado em demanda para este produto. Em relação aos cuidados existem tratos específicos para o lúpulo como em qualquer outra cultura agrícola, que envolve clima apropriado, água nos momentos certos para a cultura, nutrientes balanceados, monitoramento regular, análises de solo e folha e o manejo com as pragas.

A suplementação com luz artificial

– A suplementação de luz está contribuindo significativamente com o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das plantas de lúpulo. Resultados preliminares de estudos com o conjunto de tecnologias desenvolvidas pelo Grupo Fienile indicam resultados positivos de produção a campo e em estufa em Lages (SC) –, acrescenta Ernane Miranda Lemes, engenheiro agrônomo e diretor de pesquisas do Grupo Fienile. “Os estudos para aprimorar a técnica de produção de lúpulo com tecnologias como a suplementação de luz são contínuos e estão em expansão. O objetivo é obtermos produtividades ainda maiores, com aumentos nos teores dos componentes de interesse no lúpulo e na qualidade final do produto para os cervejeiros”, complementa.

A Zortea Consultoria Agronômica representa na região o sistema de suplementação luminosa que está sendo implantado pela Fienile em áreas-piloto de produção de lúpulo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “O sistema foi desenvolvido para atender a demanda de produção de lúpulo em estufa. Com os resultados positivos foi estendido a campo para avaliar o progresso que, até então, tem sido muito positivo. Além do aumento da produção foi também possível realizar uma segunda safra no mesmo ano”, destacou Zortea.

A suplementação de luz outdoor é uma tecnologia que tem impacto positivo na produção de qualquer cultura agrícola desde que a luz certa seja aplicada na potência e momentos apropriados para cada espécie de planta. “A suplementação de luz contribui com a produção e a qualidade, mas o desenvolvimento depende de outros fatores como cultivar, nutrição, irrigação, manejo de pragas e doenças, entre outros”, finaliza.