A Organização Mundial de Saúde recomenda que crianças com mais de cinco anos realizem, pelo menos, 60 minutos de atividades físicas por dia, dentre as quais estão incluídas caminhadas até a escola, aulas de educação física, brincadeiras ao ar livre, prática de esportes e dança, recreação em playgrounds e passeios em parques, entre outras. Além disso, é recomendado também limitar o uso de dispositivos de telas (televisão, videogame, tablet e celular) em 2 horas por dia e que se durma entre 9-11 horas por dia. Estas recomendações têm como intuito promover a saúde e prevenir doenças.

As atividades físicas têm efeito positivo em todos os aspectos da saúde da criança: físico, mental e social. Sua prática contribui para o desenvolvimento saudável dos ossos, músculos e articulações, o controle de peso, a melhora da coordenação e uma melhor qualidade de sono. Além disso, promove a saúde cardiovascular e metabólica, reduzindo o risco de diabetes, hipertensão arterial e doenças cardíacas na idade adulta. Sem contar o bem-estar psicológico, ajudando a controlar ansiedade e o fortalecimento da autoestima, ou seja, o desenvolvimento psicossocial. A atividade física entre crianças também favorece positivamente as habilidades cognitivas, o rendimento escolar, a atenção e o comportamento. Estudos indicam que até mesmo a função do sistema imune é modulada pela atividade física, podendo reduzir o risco de infecções respiratórias.

Sedentarismo

No entanto, nos últimos anos, tem se observado um aumento de sedentarismo entre crianças. Estima-se que apenas uma entre quatro crianças realize diariamente o mínimo de atividade física recomendado, o que piorou mais ainda após o início da pandemia. Ao se comparar o período pré-pandemia com o atual, o tempo gasto em locais associados à atividade física, como parques e praias, diminuiu significativamente. Por outro lado, o tempo dispendido em casa aumentou, assim como o tempo assistindo TV, utilizando tablet e celular. Observou-se também que as crianças mudaram seus hábitos de sono, e estão dormindo e acordando mais tarde.

A atividade física insuficiente e o comportamento sedentário excessivo entre crianças representa um problema alarmante, pois padrões de comportamento na infância tendem a persistir na idade adulta, aumentando o risco de um número significativo de doenças, como sobrepeso, obesidade, diabetes e síndrome metabólica. O confinamento domiciliar pode ainda levar a uma menor exposição à luz solar e, consequentemente, a maiores índices de deficiência de vitamina D, fundamental para o crescimento saudável dos ossos e fortalecimento do sistema imunológico.

Às crianças deve ser oferecido um maior número de possibilidades para que sejam fisicamente ativas, como correr, pular corda e andar de bicicleta. Os pais e cuidadores devem incorporar atividades físicas ao dia a dia da criança, evitando ficar sentadas por períodos prolongados e restringir o uso de dispositivos de tela. Observamos progressivamente um menor nível de atividade física entre crianças, porém, não podemos ficar de braços cruzados e deixar que este “novo normal” se torne rotina na vida das crianças.

Sobre a profissional

Juliana Sato Hermann é médica formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), é Especialista em Otorrinolaringologia pela UNIFESP e Associação Brasileira de Otorrinolaringologia. Tem especialização em Otorrinolaringologia Pediátrica pela UNIFESP e Mestrado e Doutorado pela UNIFESP.