O Movimento Meninas Olímpicas foi fundado em 2016 em Frederico Westphalen, por Mariana Bigolin Groff e Natalia Bigolin Groff, sob coordenação da professora Nara Martini Bigolin da UFSM, com o propósito de incentivar para que mais mulheres participem das Olimpíadas Brasileiras Científicas e que, cada vez mais, conquistem o seu espaço de poder e também das premiações. 

- Mariana e Natalia são minhas filhas, assim como o Lucas que começou a participação em olimpíadas em 2019. Mariana participa de olimpíadas desde 2013, quando conquistou ouro da OBMEP. Natália estreou em 2015 também com uma medalha de ouro na OBMEP. Elas já participaram de competições estaduais, nacionais e internacionais.  A partir delas, Frederico se tornou um centro de referência de meninas premiada. E hoje, as principais olimpíadas do Brasil estão envolvidas no movimento Meninas Olímpicas -, contou a coordenadora do movimento, Nara Martini Bigolin.

Com uma representatividade imponente, Nara foi eleita a Mulher Cidadã 2018 do RS, na Modalidade Educação, pela Assembleia Legislativa do RS e recebeu uma homenagem na principal Olimpíada Internacional de Matemática do mundo, a IMO 2018, ocorrida na Romênia, pela sua contribuição no incentivo às meninas nas olimpíadas científicas, assim como foi finalista dois anos consecutivos do prêmio Educação do SINPRORS. Ela também foi indica a Ordem Nacional do Mérito Educativo, recebendo a medalha da ordem.

- O movimento é um  projeto de vida, como professora universitária de computação há 28 anos, sempre vivi em um universo masculino, mas o que me motivou a trabalhar no movimento, foi presenciar a pequena representação feminina nas olimpíadas  de conhecimento e o ambiente hostil que minhas filhas conviviam e eu precisa fazer alguma coisa para mudar. Realizamos uma pesquisa nos dados de premiação das olimpíadas e percebemos que as olimpíadas científicas são um microcosmo da representação das mulheres em espaço de poder, como mulheres eleitas, presidentes de grandes empresas e premiadas com o Prêmio Nobel., ou seja, acreditamos que se aumentar a quantidade de meninas nas olimpíadas, nós vamos conquistar um impacto direto das mulheres em espaços de poder e  de tecnologia. Queremos unir força e conquistar a representatividade feminina nestes espaços que hoje são dominados em grande maioria por homens brancos, e, desta maneira termos uma sociedade mais igualitária, eu sou apaixonada por  cada detalhe deste movimento -, frisou.

Segundo a coordenadora, os impactos sociais foram extremamente importantes, com relação a representatividade feminina nos torneios e competições, desde o surgimento do movimento, pois até 2016, apenas 5% das premiações nas olimpíadas de física, informática e matemática, eram meninas, enquanto 95% eram meninos. Devido a ações afirmativas do movimento, em 2014 as meninas medalhistas de ouro da OBMEP no RS eram 4, em 2016 passou a 9 meninas e em 2019, 15 meninas, o que demonstra o impacto positivo do movimento.

Aos 19 anos, a superatleta das ciências, Mariana Bigolin Groff já conquistou 34 medalhas em olimpíadas de matemática, astronomia, física, informática e química e, em 2019, foi vencedora do prêmio Força Meninas, uma iniciativa que visa capacitar jovens a desenvolverem suas habilidades. Além disso, a gaúcha de Frederico Westphalen foi a primeira brasileira a conquistar a medalha de ouro na Olimpíada Europeia de Matemática para Meninas, que ocorreu em Kiev, Ucrânia. Das 34 medalhas, 28 são nacionais e seis internacionais.  Já Natalia, em  seus 16 anos conquistou  28 medalhas em olimpíadas de física, química, matemática, astronomia, informática e linguística. 

Em 2019, as irmãs foram honradas com o Prêmio  Jovem Talento Científico Gaúcho no evento  Prêmio Pesquisador Gaúcho, além de durante 3 anos consecutivos, serem  agraciadas com uma homenagem de destaque em olimpíadas científicas da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do RS. 

- O projeto começou com a intenção de abrir um espaço de fala sobre o número baixo de meninas nas olimpíadas, principalmente, por ser um assunto pouco comentado nos lugares que eu estava inserida. Quando estava em treinamento para a preparação de competições internacionais nas olimpíadas de matemática, eu era a única menina e eu senti que faltava representatividade feminina dentro daquele ambiente. Criamos uma página no Facebook para o movimento, onde contamos diversas histórias de meninas olímpicas, ou seja, abrimos espaço de fala e de debate para a construção da nossa sociedade -, contou Mari.

Novos projetos

Neste ano, o movimento está organizando o primeiro Torneio Feminino de Computação. O Torneio é uma nova competição brasileira de programação apenas para meninas e, além disso, é o 1º evento olímpico do Brasil, com uma comissão 100% feminina, pois a maioria das comissões de olimpíadas é composta apenas por homens.  O evento será realizado no formato online, no dia 8 de novembro e já conta com mais de 1.500 inscritas.

O Movimento Meninas Olímpicas trabalha em conjunto com a Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do RS, a qual, todos os anos, homenageia as mulheres medalhistas de ouro do Estado.

- É um impacto muito grande, quanto à representatividade feminina no nosso Estado, pois cabe lembrar que devido ao movimento, 100% das medalhistas de ouro em FW são meninas. O percentual de mulheres em espaço de poder é o mesmo das meninas premiadas em olimpíadas de conhecimento. Portanto, se houver mais meninas nas competições de conhecimento, teremos uma sociedade mais igualitária nos espaços de poder -, finalizou.