Além do Aedes aegypti, mais conhecido como mosquito da dengue, pode passar a transmitir mais uma doença. A chikungunya, vírus responsável pela febre com o mesmo nome que já circulou em 40 países e recentemente chegou ao Caribe. Pesquisa realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz mostra que além do aegypti, o Aedes albopictus tem um potencial elevado de disseminar a doença, e no Brasil o risco se tornou iminente, devido a realização da Copa do Mundo, que irá atrair turistas de diversos países.

Os pesquisadores começaram a investigar a transmissão do vírus, depois que foram registrados os primeiros casos em São Paulo e no Rio de Janeiro, em 2010. Os infectados haviam visitado a Indonésia, mas a doença não se alastrou pelo país. "Estamos muito assustados de o vírus se espalhar pelo Brasil. Além de termos os mosquitos transmissores, temos uma população suscetível, que nunca teve contato com esses anticorpos”, declarou o coordenador do estudo, Ricardo Lourenço.

A febre chikungunya tem sintomas semelhantes aos da dengue: dor de cabeça e muscular e febre alta. A chikungunya, ainda inclui fortes dores nas articulações. Na pesquisa, os mosquitos estavam aptos a disseminar a doença em sete dias, em média. Os Aedes albopictus coletados no Rio de Janeiro foram capazes de transmitir a doença em dois dias.

– Isso representa um tempo quase cinco vezes menor do que ocorre com a dengue. Depois de picar uma pessoa infectada, o mosquito tem o vírus na saliva entre dez e 14 dias depois. Um mosquito precisa viver duas semanas para transmitir a doença e nesse período vários vão morrer. Se o inseto é capaz de passar a doença em dois ou três dias, acelera a capacidade epidêmica. O Aedes albopictus recebia atenção secundária, mas agora tem que passar a ter um cuidado maior. Ele foi responsável pelos surtos na França e na Itália –, afirmou Lourenço.

O albopictus se dissemina afastado das casas, não dentro dos imóveis, como o aegypti. "Os focos estão nos quintais, nas bordas das matas, nos parques. Gosta de cobertura vegetal maior, bairros com quintais e bambuzais", explica o pesquisador.

Não existe vacina, nem remédio específico contra o chikungunya. O Instituto adverte que o tratamento da doença consiste em hidratação e uso de medicamentos para aliviar os sintomas semelhantes aos da dengue, incluindo, ainda, fortes dores nas articulações que podem perdurar por vários dias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), complicações graves são raras, mas em pessoas idosas, a infecção pode contribuir para a morte.

Gislene Goulart