A quinta operação da força-tarefa gaúcha do Ministério Público do Trabalho que investiga, em 2015, meio ambiente do trabalho em frigoríficos bovinos e suínos iniciou em Frederico Westphalen na terça-feira, 11, e chegou ao fim nesta quinta-feira, 13. 

O alvo da vistoria foi a unidade da JBS no município, com o apoio técnico da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) Macronorte, com sede em Palmeira das Missões, e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (Crea-RS), além da participação do movimento sindical dos trabalhadores.

Inquérito civil

Os relatórios de todos esses parceiros instruirão inquérito civil em andamento no MPT em Passo Fundo, unidade com abrangência sobre FW. No primeiro dia da inspeção, a própria empresa foi convencida a autointerditar cinco serras-fitas da planta, sendo quatro no setor da sala de corte e uma no setor de sequestro (retalhos da carcaça), devido ao grave e iminente risco à saúde e segurança dos trabalhadores. Duas serras-fitas já foram trocadas pela JBS e outras três estão sendo adquiridas. Também foram paralisadas duas estrechadeiras, três afiadoras de facas e uma lixadeira. Duas centrífugas foram sucateadas e uma já substituída.

No último dia da operação, reunião com representantes da empresa serviu para que a força-tarefa comunicasse os problemas encontrados na indústria. A JBS frederiquense é a maior empregadora do município, com 930 trabalhadores, e abate dois mil suínos diariamente.

Resultados

Ao meio-dia desta quinta-feira, o coordenador estadual do Projeto de Adequação das Condições de Trabalho nos Frigoríficos, Ricardo Garcia, concedeu entrevista coletiva à imprensa.

O principal resultado foi a resolução dos problemas mais graves de máquinas, que ofereciam risco iminente de acidente aos trabalhadores.

A planta é antiga e isso agrava as condições de saúde e de segurança, além de dificultar a solução. O problema é que, apesar de possuí-la há mais de dois anos, a empresa ainda não tem gestão de risco, nem projeto global para enfrentá-los. Em razão disso, muitos problemas evidentes só foram solucionados quando apontados pela força-tarefa, mas muitos e sérios continuam exigindo intervenção rápida para sua solução, razão pela qual a força-tarefa continuará monitorando a unidade.

Na ocasião, Garcia falou que com relação à ergonomia (relação entre homem e máquina), a empresa deve tomar medidas paliativas imediatamente até as alterações definitivas. "Conversamos com trabalhadores, todos tem queixas de dor, o que reflete problemas sérios de ergonomia, que já estão tendo consequências. Definitivamente, a questão da ergonomia deve ser resolvida em 90 dias. O principal problema da empresa, que se reflete nesses que falamos é a estrutura de gestão de risco, que não está funcionando. Os programas de prevenção de acidentes e de doenças também não funcionam", ressaltou.

As adequações físicas e de maquinário apontadas não têm prazo estipulado para ficarem prontas. O Cerest continuará a fazer análise clínica dos trabalhadores, a fim de verificar se a ergonomia está afetando a saúde dos operários ou não.

Caso as recomendações não sejam atendidas, o que pode ocorrer é uma ação civil pública e medida de paralisação das atividades da empresa.

Sobre os vazamentos de amônia, Garcia respondeu que não há o que fazer com as situações passadas, por isso é preciso prevenir futuros acidentes dessa natureza.

Empresa e sindicato

A empresa não quis se manifestar sobre a inspeção ou as medidas a serem adotadas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne e Soja em FW, Edilson Sarmento, afirmou que as solicitações feitas pela entidade à empresa - tanto de melhorias físicas da unidade quanto relativas à ergonomia - eram atendidas aos poucos.