Tudo começou como um hobby e, com o passar do tempo, se tornou um sonho de carreira. Foi assim para Gustavo Marques, 37 anos, natural de Getúlio Vargas, mas frederiquense de coração. Ele é filho de Erique Portela e Delcy Portela (in memoriam). 

– Eu trabalhei durante 14 anos nas maiores agências de publicidade do RS como diretor de arte. Em um determinado momento, a cozinha, que era meu refúgio criativo, começou a se converter em paixão. Quando me dei conta de que os mesmos processos criativos que utilizava na direção de arte poderiam ser aplicados na criação de pratos, decidi levar a sério e buscar conhecimento no melhor instituto de ensino da área, o Le Cordon Bleu –, conta Gustavo. 

Ao longo de três anos, Gustavo pôde se descobrir de diversas formas no âmbito culinário, em uma imersão intensa em Lima (Peru). Lá ,ele teve a oportunidade de aprender com excelentes chefs do mundo todo e a felicidade de poder estagiar em lugares surpreendentes durante esse tempo. No Sal ,de Henrique Fogaça; Moshi, em Cartagena (Colômbia) e no Mérito, em Lima (Peru).

– No último ano, estive à frente da cozinha de uma excelente vinícola de vinhos naturais, em Pisco, chamada Bodega Murga. E foi nesse momento que surgiu a ideia de montar um projeto muito interessante e decidi voltar ao Brasil e abrir o meu próprio negócio –, destaca. 

O chefe de cozinha está inaugurando o Lago, um restaurante em Cambará do Sul, com a proposta de oferecer uma cozinha latina, um gosto peculiar de Gustavo, com um cardápio que contará com elementos culturais do nosso continente, atrelado com elementos locais da região dos Campos de Cima da Serra. 

– No período em que estive em Lima, tive a oportunidade de estudar com pessoas de toda a América Latina. Essa troca cultural me trouxe muita conexão a aspectos do nosso continente que, geralmente, o brasileiro se mantém distante, muito pela barreira do idioma, eu acredito. Por isso, tanto em meu trabalho de conclusão de curso, quanto hoje em meu restaurante, o resgate de elementos latinos nos pratos está muito presente –, afirma. 

Boas histórias são o que inspiram Gustavo, após conhecer diversos cantos do mundo e aproveitar um pouco das diferentes culturas espalhadas por onde passou. Ele conta que uma das principais referências primitivas da cozinha vem com um gostinho de infância e das memórias afetivas que permeiam essas lembranças. 

– Essas lembranças sempre trazem boas histórias. Cada pessoa possui uma particularidade de onde viveu e sempre surgem rituais de preparos e receitas escondidas, enfim, são conexões que somente o alimento proporciona –, relembra. 

Por meio do restaurante Lago, o chefe quer oferecer o “melhor possível” aos seus clientes e amigos. Uma das principais características que você poderá encontrar no local é um ambiente acolhedor, juntamente com uma linda vista para o lago do Cambará Eco Hotel e uma carta de vinhos nacionais muito completa e harmonizada com seus pratos. 

– Como uma das expressões culturais mais significativas de um povo, a comida nos identifica, nos une e fala muito sobre quem somos. Também vejo como um elemento social importante, tanto como desenvolvimento de uma região, por meio do estímulo à diversidade de produção, como também na questão da própria autoestima de uma comunidade, a qual, vê sua produção sendo valorizada. A gastronomia deve estar em comunicação com seu entorno, refletir e valorizar o que a região possui de melhor. Uma cozinha ligada diretamente ao produtor rural é uma cozinha de produtos frescos, de respeito à cadeia produtiva e conectada com a comunidade –, finaliza.