O caos no sistema de saúde já não é algo tão distante assim. Durante a semana, os números de internações aumentaram exponencialmente e vem gerando muita preocupação naqueles que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus. 

Em Tenente Portela, o Hospital Santo Antônio (HST) passa por um dos momentos mais difíceis durante a pandemia, com superlotação nas UTI e novos casos de coronavírus que não param de chegar. Ao jornal Folha do Noroeste, a presidente do HST, Mirna Braucks, teme pelos próximos 15 dias, considerado período mais complicado deste novo pico da doença. 

– Como é um Estado de Guerra, não existe um limite de leitos. Por isso nós temos que nos proteger. Adianta ter leito nos hospitais? E os profissionais? Eu tenho cinco médicos afastados com covid-19. Adianta ir aos hospitais e não ter profissionais intensivistas ou clínicos que saibam tratar essa doença? Nós não sabemos mais em que caminho andamos e ainda temos as especialidades. Não adianta pegarmos um pediatra, que só fez pediatria por 4 ou 5 anos e mandar cuidar de um paciente de 80 anos que é diabético, hipertenso e cardiopata. É essa a situação que está se desenhando – declarou a presidente do hospital.

Durante a entrevista por telefone, Mirna Braucks pontuou diversas situações que, inicialmente, eram possíveis de acompanhar apenas pela tela do celular. “Estamos num trabalho muito grande, convocamos todos os médicos, com plantão nas emergências, na UTI, na clínica, porque agora estamos em estado de guerra. Em estado de guerra, temos que receber o paciente de portas abertas. Nós, Frederico Westphalen, Três Passos, Palmeira das Missões, e todos os hospitais da região – explicou.

Superlotação nos hospitais

O Rio Grande do Sul ultrapassou a marca de 100% na taxa de ocupação durante a semana. Em Tenente Portela, apesar de ter cadastrado apenas 15 leitos no governo estadual, o Hospital Santo Antônio chegou a ter 140% de taxa de ocupação. Com atendimento intensivo a 23 pacientes durante a semana – diversos deles entubados – o hospital segue recebendo novos pacientes. 

– Nós tínhamos cinco leitos para covid-19 contratados com o Estado. Como os casos aumentaram muito, transformamos em 10 leitos mesmo sem pactuar, e teríamos 10 leitos normais. Só que os 10 normais se transformaram em 10 leitos para covid-19 e todos estão lotados com pacientes gravíssimos. Montamos também a nossa sala de recuperação cirúrgica, no bloco cirúrgico, com seis leitos e desses, quatro já estão ocupados com pacientes pós-cirúrgicos e emergência. Já estamos com mais três pacientes que vão fazer cirurgia e precisam de leito pós-cirúrgico. Nesse momento, estamos com 17 pacientes e mais quatro no leito de recuperação do bloco cirúrgico – explicou a presidente do hospital Santo Antônio, Mirna Braucks.

Em Frederico Westphalen, o Hospital Divina Providência também ficou sem vagas na unidade de terapia intensiva. Na quinta-feira, 4, o hospital chegou a 100% de ocupação, com três pacientes internados sem covid-19 e outros infectados com a doença. Além disso, os leitos clínicos ficaram todos ocupados. Dos 30 leitos destinados para pacientes com covid-19, o hospital realizou um remanejamento, e destinou 32 pacientes para o local, resultando uma taxa de ocupação de 106%. Os dados mencionados na reportagem, foram extraídos do portal da transparência do governo estadual.

Entre picos

As altas nos índices de casos confirmados de covid-19 oscilam muito durante a pandemia. Com um ano de convivência com a doença, este não é o período em que há o maior número de casos na região, no entanto, é o momento em que há mais internações nos hospitais. Nos municípios com hospitais que possuem UTI, Frederico Westphalen é o que teve o maior número de casos confirmados em apenas um mês. Logo após o período eleitoral, no mês de dezembro, o município frederiquense teve 609 casos de covid-19, de acordo com dados divulgados pelo governo estadual. Tenente Portela e Três Passos tiveram 139 e 67, no mesmo período, respectivamente.
Porém nunca houve tantas internações quanto agora, e, principalmente de jovens. Anteriormente a preocupação era, em sua maioria, com idosos, mas atualmente, o vírus não distingue mais a idade. A Secretária Municipal de Saúde de Frederico Westphalen, Taís Candaten, já veio a público durante a semana para pedir compreensão dos jovens.

– Estamos em uma crescente, onde as estatísticas dizem que semanas mais duras virão pela frente. Precisamos que a comunidade nos ajude e esse público jovem entenda a importância de não fazer aglomeração nesse momento. Estamos há um bom tempo solicitando e pedindo a comunidade, principalmente aos jovens, nesse momento precisamos dessa consciência. É muita gente que está buscando o atendimento e muitas pessoas jovens já em estado grave – frisou.

O sobe e desce nos dados segue a expectativa dos profissionais de saúde, que afirmam a todo momento, quando as medidas restritivas e isolamento social são cumpridas, há uma baixa nos índices e, quando são registradas aglomerações, o gráfico tende a subir. Em fevereiro, Frederico Westphalen e Tenente Portela encerraram o mês com 209 casos confirmados, enquanto Três Passos teve a confirmação de 257 pessoas infectadas pelo vírus no mês. 

Possibilidade de teleatendimento

Devido a quantidade de casos em Frederico Westphalen, a Secretaria de Saúde recomenda que, pessoas com dúvidas sobre sintomas que estão sentindo, deve primeiro buscar um atendimento por telefone, antes de se deslocar ao posto de saúde Ayres Cerutti - referência em Covid-19 no município. 

– Nós temos o telefone do Posto Ayres, o 3744-3765 e as pessoas podem ligar e perguntar para os profissionais e ter um teleatendimento, que a equipe vai poder estar auxiliando. Também temos pessoas que esperam resultados de exames e essas pessoas são orientadas a também ligarem na unidade. Sabemos que muitas pessoas falam que o telefone está sempre ocupado e estamos disponibilizando um outro telefone para que a população ligue e mantenha um contato – explicou a Secretária de Saúde, Taís Candaten.