Com a confirmação dos efeitos do La Niña no Estado nesta primavera e verão, os produtores gaúchos já se preparam para complicações na safra de soja e menor produtividade na safra do milho, e também para efeitos em outras culturais, desde a fruticultura até as pastagens. A estiagem já causa prejuízos nas lavouras gaúchas e os municípios  deram início aos decretos de emergência, visando buscar recursos para apoiar as atividades.

De acordo com o coordenador da Regional da Defesa Civil de Frederico Westphalen, major Alexandre Moreira Pereira, até esta quarta, 4, os municípios de Frederico Westphalen, Tenente Portela, Palmitinho, Alpestre, Iraí, Boa Vista das Missões, Planalto. Nonoai e Caiçara haviam decretado emergência em virtude da estiagem. Ametista do Sul também informou o decreto, que ainda não consta no sistema do órgão.

Frederico Westphalen
O Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar já na semana passada, elaborou o laudo da situação das principais culturas no município, dando embasamento ao decreto de emergência municipal. Em Fredreico Westphalen, primeiro, as lavouras de trigo sofreram com as geadas, em agosto, o que já havia comprometido a produção. Agora, com a estiagem, houve um agravamento e as perdas chegam a 50%.
– A safra de milho está muito comprometida, as plantas não se desenvolveram e estão florescendo com um porte pequeno. A estimativa, até o momento, é de perdas que podem superar 60%. Se não tiver uma boa precipitação, nos próximos dias, podemos ter prejuízos ainda maiores. Na safra do feijão, as perdas passam de 80%, o que também vai se agravar se não chover nos próximos dias –, destaca o chefe do Escritório Municipal da Emater, Mateus Stefanello. Já quanto à soja, a semeadura em FW está atrasada, em virtude da pouca umidade do solo.
O engenheiro agrônomo acrescenta que já é considerado grande o número de pedidos de Proagro pelos produtores do município. Iniciaram com o trigo, afetado pela estiagem em agosto, e agora têm sequência com o milho e feijão. “Nossa preocupação é muito grande. Esta é uma das maiores estiagens desde 2011. Tivemos um problema no início do ano, entre março e abril, quando houve pouca chuva. E agora temos previsões de que possa estender até abril de 2021”, adverte.
E a sucessão de estiagens tem comprometido severamente também os estoques de silagem de milho, feno e pré-secado nas propriedades leiteiras, o que traz apreensão aos produtores de leite. “A situação pode evoluir para caótica, já que o produtor precisa desses insumos para suprir a falta de pastagens, então, pode vir a faltar alimento para os animais nos próximos meses. Isso acarretaria prejuízos incalculáveis para a atividade leiteira”, avalia.

Região
Segundo o Informativo Conjuntural da Emater Regional de Frederico Westphalen, entre o período de 27 de outubro e 2 de novembro, a região teve 9,2 mm de chuvas. A soja está com apenas de 10% da área semeada, com estimativa de que sejam plantados 419.680 hectares. Para o feijão, as perdas devem chegar a 50%, pois a cultura não apresentou bom desempenho devido a falta de chuvas. Para o trigo, as perdas estimadas são de 30%, em decorrência de geadas e agora da estiagem.
Quanto ao milho, a falta de chuvas nos meses de setembro e outubro está atrasando o desenvolvimento da cultura, além de dificuldades para práticas de manejo, como a aplicação de fertilizantes nitrogenados e o manejo de plantas invasoras. Em alguns casos observa-se o ataque de lagartas, percevejos e até mesmo trips. A situação da cultura já começa se agravar devido a o estresse hídrico causado pelas baixas precipitações. A perda estimada gira em torno de 30% e no milho silagem, em 25%.

Perdas estimadas no RS

• Milho: R$ 15 milhões;

• Feijão: R$ 2,4 milhões;

• Trigo: R$ 2,3 milhões;

• Soja: ainda sem estimativa.