Das histórias que conto

Sempre tem alguma que fica

guardada

Em mim ou na madrugada

A estrada é bifurcada

E a mim só resta a incerteza do

saber

Também as fotos não mostram

todos os meus encontros

Os retratos são sempre inacabados

Pois permitem enxergar

muito mais do que a gente vê

Não resta muito

Resta tudo

E assim me apresso em viver.

E em cada linha, me deixo um

pouco.

Mas não são todos que podem

compreender.

Não me aquieto

E sempre quero

Ser mais um conto para escrever.

A poesia como inspiração

Tão cheia de vida, dona de si, dos seus medos, devaneios, certezas e incertezas. Se desafia, se conecta e se apressa em viver, intensamente, suas várias versões. A história é da colunista que instiga grande parte de nossos leitores a refletir, repensar e viajar por entre as palavras que soam leve, em tom de lembranças.

Nas próximas páginas, você conhecerá Bruna Sorensen, a psicóloga, escritora e professora, que busca em sua essência, traduzir sua personalidade em cada detalhe do seu lado pessoal e profissional.

Natural de Frederico Westphalen, a filha de Rosangela Maria Maltauro e de Jorge Fernando Sorensen, foi presenteada desde pequena com "mais um pai", Joaozinho Castelli, seu pai de coração e criação. Cresceu ao lado de três famílias, as quais, lhe deram todo amor e educação que a tornaram quem ela é hoje.

- Desde pequena tudo sempre foi muito claro sobre a relação com meus 'dois pais'. Foi tudo muito natural e eu entendia a participação de cada um na minha vida. Desde pequena, eu já cresci com esse contato com os dois. Além disso, tenho três avós que fizeram toda a diferença no meu crescimento e foram muito importantes nesse processo”, relembrou Bruna com carinho sobre suas avós Clementina Castelli, Ildegart Sorensen e Ignes Dalcin, que foram e são até hoje, figuras de muito afeto.

Quando criança, Bruna tinha um desejo: ser professora! “Eu sempre fui muito ativa e bem muleca, mas o desejo por ser professora sempre foi constante em minha vida. Minha brincadeira favorita era estudar”, contou.

Sua mãe, por sua vez, ensinou-a ter coragem a enfrentar os obstáculos da vida cotidiana e a nunca desistir. A fortaleza de Bruna tem inspiração! “A força da minha mãe e a coragem que ela teve para enfrentar os desafios e principalmente sobre o fato de ela lidar com a verdade sobre tudo, foi algo que sempre me inspirou. Ela me deu liberdade e confiança e esse é o valor central de tudo”, completou.

Ah, a canceriana, com jeitinho de menina e determinada na mesma proporção. Para quem gosta e acompanha sobre os significados dos signos, Bruna é tudo o que representa interior e exterior. Entre suas diversas sensibilidades e peculiaridades, ela encanta, protege e compreende os que lhe rodeiam de um jeito único e genuíno.

Bruna cresceu, foi formando seus conceitos e delimitou seus objetivos. Além do sonho de ser professora, desejava cursar Medicina para ser neurocientista. No entanto, escolhas foram surgindo com o decorrer do tempo e aos 17 anos ingressou no curso de Psicologia na URI-FW.

“Descobri que por meio do curso eu poderia trabalhar com a neurociência após a minha formação”, contou ela, entre sorrisos.

A psicologia

Durante a graduação, Bruna tinha uma definição sobre os estudos, “estude para você” , algo que leva para a vida até os dias de hoje. Dedicou-se em todas as áreas para compreender melhor o que ela desejava realmente seguir carreira.

Entre as suas inspirações, a professora Marisa Pigatto conquistava espaço de carinho e admiração diariamente de sua aluna. “Ela sempre foi minha referência, uma pessoa que eu me identificava em todo um conjunto. Marisa é um ser humano extraordinário”, completou Bruna.

Formou-se na graduação e decidiu seguir um novo rumo profissional. Selecionada para a residência multiprofissional do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, partiu em busca de novos ares.

“Foi um processo de formação bem complexo”, resumiu ela ao recordar os dois anos que morou na cidade, em busca da especialização de residência em cardiologia. “A cardiologia me permitiu fortalecer diante de uma limitação, para aprender a lidar com ela e reconhecer os processos. Eu entrei em contato direto com a minha história de vida e para além, poder ajudar outras pessoas”, definiu.

Passo Fundo, de certa forma, mudou a rotina da doce menina, pois se transformara em uma mulher , tomando as rédeas da vida!

- Eu gostava muito de lá. Foi uma possibilidade de me construir como pessoa. Construir as minhas referências, saber quem eu sou, o que eu gosto. Um processo de descobrimento, para poder estar comigo mesma, enfrentar os meus medos e conseguir me colocar na vida de uma outra maneira”, enfatizou.

Nesse processo, Bruna desencadeou outras paixões, aquelas guardadas e nunca, até então, compartilhadas. A atração antiga por poesias começou a ganhar formas, sentimentose rimas. “Ela estava ali, adormecida. Mas descobri vários espaços quando estava lá que me conectaram comigo mesma, com os desejos e gostos que eu não sabia que estavam ali”, acrescentou.

Aos 25 anos, formou-se na residência e desde então tudo começou a mudar novamente. “A docência sempre foi um dos meus sonhos e objetivos da minha vida. Sempre
tive objetivos muito claros do que eu queria. Foi então que eu comecei a direcionar os passos de tudo para conquistar os meus sonhos”, afirmou sorridente tranquila com a certeza que caminhava junto dela.

Retornando para FW a lista de desejos só aumentou! Além da docência, que ainda parecia distante, Bruna resolveu investir em seu segundo sonho, ser psicóloga clínica.
Abriu seu consultório no Centro da cidade, onde está até hoje localizada, a fim de proporcionar serviços de excelência levando até a comunidade o diálogo, o atendimento especializado, palestras e formações de grupos com ênfase em questões relacionadas ao coração e a própria psicologia.

- Quando cheguei aqui foi uma readaptação enorme! Eu sai daqui muito menina, ainda era estudante, mas eu voltei com esse desafio, de me apresentar de uma outra forma, como mulher. Então, o primeiro desafio que eu enfrentei foi esse, sobre me reconhecer como mulher. Foi assim que
eu me construí nesse tempo, as minhas escolhas, responsabilidades, autonomia e minhas vontades. Tudo isso começou a ter uma dimensão diferente -, sublinhou.

E assim iniciou, firmando seu nome como referência e profissionalismo. No ano passado, fez uma seleção para mestrado em Passo Fundo e também se inscreveu para um concurso na prefeitura de Palmitinho. Ambos para a área de psicologia. A novidade chegou em comemoração em dose dupla: aprovada no concurso e no mestrado que tanto desejava. Foi um 2019 agitado, assim como ela gosta!

A arte

A questão da arte sempre esteve muito presente na vida de Bruna, o encanto pela escrita vai muito além de poesia, como também na arte fotográfica, produções artesanais e estilo de roupa, sempre, ou quase sempre, acompanhada por um bom café. Com a voz indagada e um sussurro ao sorrir, ela se emociona ao falar sobre seus diferentes registros artísticos.

“A poesia ela tem muita força. Eu brinco que escrevia para as gavetas”, sorriu. “A minha ida para Passo Fundo me fortaleceu muito a respeito de quem eu sou, sobre assumir os meus desejos, meus pensamentos, o que eu sinto e entendo da vida. Lá eu conheci uma casa de cultura que se chama “Vaca propana” e dentro dessa casa acontecia a parte poética com escritores e poetas apaixonados pela literatura”, comentou.

- A poesia me ajudou a ter voz. E na medida que eu me escutava através das palavras eu me fortalecia, reconhecia e me construía. É incrivelmente lindo poder tocar o outro por meio das entre linhas -, contou ela, com a beleza no olhar.

Esse é o desejo da escritora, pode provocar os leitores e os seus pensamentos, nas suas mais de 1,2 mil poesias. E parte dessas, integram a história do Bella, onde em 2019, mesmo ano em que teve uma obra publicada pela Editora Vivara (concurso Novos Poetas), apresentou alguns trechos para a executiva de contas do Jornal Folha do Noroeste, Valéria Mulinari, a qual se encantou em cada detalhe da escrita e reconheceu o talento nato que estava em suas mãos! Desde então, com um convite feito por Valéria, Bruna aceitou e escreve sua coluna, quinzenalmente impressa, na Revista Bella.

Mas com tantas surpresas em um mesmo ano, o final de 2019 não seria diferente. Bruna recebeu o convite da URI-FW para ser a mais nova professora do curso de psicologia e ministrar a aula de “fundamentos da abordagem sistêmica”, a qual antigamente era ministrada por sua maior inspiração: a professora Marisa. Que bacana não?!

A menina do estilo conceitual, aos 26 anos, ainda é tomada de sonhos e cheia de vida, mas se sente satisfeita por tudo o que há conquistado nessa caminhada. O que mais falar de Bruna? Além de tantos detalhes que a tornam um ser humano inspirador, Bruna carrega em sua essência um estilo próprio, um comportamento único, um jeito de perceber a vida e de vestir-se por meio de produções românticas e clássicas. Quem dispensar algum tempo com ela, certamente vai aprender algo novo e vai acalmar a mente e a alma! Sobre seu estilo de vestir, inclusive, ela definiu assim:

- O que eu visto é uma conexão muito profunda com o meu estado emocional e isso acaba transparecendo. Eu tenho muita afetividade com as peças que eu visto, sempre de acordo com o meu dia, meu momento e o meu estado de espírito -, explicou. Dona de um estilo próprio, que vai muito além de ser apenas uma produção, mas sim, uma comunicação do seu interior, assim são seu dias, assim é a nossa Bella da vez!

Para você, ser Bella é?

É conseguir ser nós mesmos. Eu acredito que ser Bella é lidar com as dores e os prazeres de ser quem a gente quiser ser!