Embora o Brasil seja reconhecido mundialmente por ter um dos programas de vacinação mais completos, cresce o número de pessoas contrárias à vacinação, na maioria das vezes motivadas por notícias falsas ou grupos em redes sociais, em que são descritos de forma totalmente equivocada possíveis efeitos colaterais de algumas vacinas.

Segundo dados do SUS, no ano de 2017, a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que tem como objetivo proteger contra doenças como Sarampo, Caxumba e Rubéola, teve adesão de 75% do público-alvo. Assim, há um alerta, uma vez que são doenças que podem ser prevenidas (imunopreveníveis) e que, como no caso do Sarampo, que já estava erradicado no Brasil, podem voltar a circular entre a população de forma mais intensa, caso a cobertura vacinal venha a cair mais. Além desta vacina específica, dados do Ministério da Saúde demonstram que a aplicação de todas vacinas do calendário adulto está abaixo da meta do Brasil.

A Europa vive atualmente um surto de Sarampo, em que mais de 7 mil pessoas já foram contaminadas, na maioria das vezes motivadas por discursos de pessoas contrárias à vacinação. No Brasil, a situação também é preocupante, já que a imunização de bebês menores de 1 ano de idade atingiu o menor nível dos últimos 16 anos e nos faz repensar sobre os motivos que levaram a essa queda tão brusca, tendo em vista que as vacinas são amplamente testadas e aprovadas antes de serem aplicadas à população.

O maior risco atualmente é de que o Sarampo volte a ser considerada uma doença comum em nosso meio. Há dois anos o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus de Sarampo.  No Rio Grande do Sul, só no ano vigente, são seis casos confirmados; já no Amazonas e Roraima, totalizam mais de 500 casos confirmados e milhares em investigação. E, ainda, na última semana, foi veiculada pela mídia a notícia da morte de um bebê de 7 meses, vítima de complicações causadas pelo Sarampo.

Observado o crescimento dos índices dessa doença na Europa e considerado o fator Venezuela, país vizinho sem a disposição da vacina do Sarampo no programa de vacinação, surgem cada vez mais casos da doença, especialmente no norte do país. Daí que, na ausência de impedimentos à circulação de pessoas por todo Brasil, aliada à característica de se tratar de uma doença altamente contagiosa, é elevado o risco da não vacinação. Explica-se que, se em um ambiente com 10 pessoas, uma estiver contaminada com o vírus de Sarampo, nove destas desenvolverão a doença, pois a transmissão ocorre por meio da fala, espirros, tosse ou gotículas de saliva, expelidas no ar.

O tempo de incubação do vírus de Sarampo é de 12 dias e a transmissão já pode ocorrer antes dos primeiros sintomas: febre, tosse, dor no corpo e consequentemente as manchas vermelhas pelo corpo. A doença pode evoluir para quadros mais graves como pneumonia, hemorragias e encefalite, podendo levar o seu portador a óbito.

Outra doença que se destaca negativamente por este foco é a poliomielite, comumente chamada de paralisia infantil. Já erradicada no Brasil, voltou a preocupar em virtude da divulgação de casos de paralisia infantil pela sociedade venezuelana. No Brasil não há nenhum caso registrado de contágio desde 1990, mas isso não afasta a preocupação ou a necessidade de alerta, afinal, cresce a cada dia o fluxo de refugiados que chegam através das fronteiras brasileiras e entre essas pessoas alguém pode estar portando o vírus. Assim, indispensável que a população esteja imunizada, para que o vírus possa se espalhar.

A única forma de prevenir o sarampo, a poliomielite e demais doenças imunopreveníveis é por meio da vacinação. Portanto, verifique sua caderneta de vacinação e a de seus familiares e procure um Posto de Saúde ou Clínica de Vacinação, pois a prevenção ainda é a melhor alternativa.

Autora: Bruna Cristina Jordon Togni, biomédica e Mestre em Biotecnologia