“Orgulho de um gaúcho é ter seu bem querer,

Construir um rancho, ver seu filho crescer,

Pois nessa vida é preciso semear par depois colher”.

Trecho da música Orgulho de ser Gaúcho, do grupo Pala Velho

O mês de setembro, para gaúchos de nascimento ou de coração, para aqueles que usam ou não usam a pilcha, para quem gosta ou mesmo para quem não gosta de cultivar as tradições do Rio Grande do Sul, é uma época que mexe, pelo menos um pouco, com as emoções ligadas ao amor pelo lugar em que se nasceu ou se escolheu viver. O 20 de Setembro, para tradicionalistas ou não, é uma data de referência para homenagear o povo gaúcho.

Para o técnico agrícola e representante da Pioneer Sementes, Fabio José Pavan, que reside em Frederico Westphalen, a atuação no movimento tradicionalista começou por incentivo da esposa Morgana Bertoncello. “Ela me apresentou o Carijo de Palmeira das Missões, depois os acampamentos farroupilhas em várias cidades. Sempre lidei com a comida, como diz o gaúcho, boia de fundamento e, quando cheguei a Frederico, o meu primeiro contato foi com o CTG Rodeio da Querência. Lembro como se fosse hoje, um evento para trilheiros, onde fui convidado para assar frangos. Me colocaram como o assador mais “cri-cri”, assamos frangos e servimos das 10h30 até as 16h, e acho que passei no teste”, brinca.

Ele reforça a importância dos CTGs e entidades tradicionalistas as tradições gaúchas. “Em minha opinião, o CTG é a maior entidade em um município, relacionada à cultura gaúcha. É ela que mostra sempre os usos e costumes, claro, considerando a evolução do mundo moderno, mas nunca esquecendo o passado, onde tudo começou”.

Gosto pela cultura

Fabio conta também que sempre gostou da música gaúcha, especialmente, aquelas que falam do campo, cultura, churrasco e, principalmente, do cavalo. “Esse sempre foi o maior motivo de me envolver com a cultura gaúcha, pois, além de ser uma distração, como o animal te espera na chegada, como diz parte da música “Cavalo”, do saudoso Telmo de Lima Freitas, destaque no 17º Carijo da Canção Gaúcha, “Cavalo, Deus botou no mundo, para ser amigo de amigo meu; não fala, mas entende tudo quando o dono chega para conversar, num gesto de quem agradece, às vezes, relincha de satisfação, parece refletir nos olhos, o que vai no fundo do seu coração”.

Sempre envolvido com eventos relacionados aos CTGs e à cultura gaúcha, Fabio se dedica há anos trabalhando em almoços e jantares, e em várias oportunidades na cozinha. “Sempre comento que seja um arroz de carreteiro, churrasco, ou até mesmo um costelão, todos eles têm seu tempo de preparo. O que mais vale nisso, não é só o alimento e que o fez, mas os bons momentos vividos ao redor de um fogo, boa companhia, prosa e amizades, o que levamos por toda a vida”, avalia.

Com a pandemia, uma das mudanças no hábito dos tradicionalistas durante a Semana Farroupilha foi a impossibilidade de realizar o acampamento farrapo. Uma fase difícil para todos, mas necessária. “Espero que tudo se normalize logo, e que possamos estar todos juntos novamente nos eventos da cultura gaúcha. Que tenhamos uma ótima Semana Farroupilha, seja em nossos ranchos, sem aglomerações, respeitando as recomendações, para que logo possamos estar nos encontrando em alguma bailanta, rodeio, ou até mesmo nas rodas de mate”, finaliza.