O avanço do novo coronavírus mudou a paisagem de cidades brasileiras e provocou rápida mudança nos hábitos de consumo. Com as famílias passando mais tempo em casa, houve aumento da busca por alimentos nos mercados, especialmente, itens básicos.

Por outro lado, o medo de contágio está levando parte dos consumidores a tentar ir menos vezes à loja física, aumentar os pedidos de entrega por canais virtuais e telefone ou alterar o horário de sair às compras. Algumas redes já precisaram modificar os horários de reforço no caixa para evitar aglomerações e atender os consumidores.

Além da mudança do consumo de produtos, a população passou a se preocupar mais com os cuidados com a saúde e alimentação. O brasileiro aumentou seu consumo de água (64%), frutas e verduras (44%), vitamina C (36%). Houve aumento de 30% a 40% no consumo via comércio eletrônico no lugar de lojas físicas, conforme a agência digital da consultoria, ZAHG.

Para o bolso, muita coisa mudou. O consumidor também sentiu aumento nos itens da cesta básica, e há quem já relate aumento de 50% nas despesas mensais com os alimentos, até porque o tempo de permanência em casa também aumentou.

Saúde e família

Para a engenheira florestal Brenda da Silva, de 25 anos, qualquer mudança de hábito causa certo desconforto, ainda mais quando é uma mudança brusca como essa. “Particularmente, acredito que nada deve ser ao extremo, afinal, não adianta se proteger de um vírus e acabar adoecendo por outros motivos, sejam eles físicos ou mentais”, pondera.

Para Bruna, a rotina sempre foii muito corrida, tanto profissional, quanto social. “Nesse momento, as atividades do dia a dia estão muito restritas, principalmente pelo fato de, infelizmente, eu fazer parte do grupo de risco, por ser asmática. Pode parecer algo fútil, porém, a questão social é que mais pesa, falta dos jogos de futebol, reuniões do Emaús, festas, jantares e até, simplesmente, o churrasco com os amigos”, completa.

Para enfrentar o momento difícil, ela se dedica à jardinagem em casa mesmo, plantando mudas de árvores nativas, frutíferas, organizando ferramentas, dando uma atenção especial às flores. “Acredito que cada pessoa teve que achar uma válvula de escape para não enlouquecer, literalmente. Mas um ponto positivo sobre essa “freada obrigatória”, foi a possibilidade de nos conhecermos mais, conviver mais com os familiares, darmos mais valor a aquilo que está sempre junto de nós e nem notamos. O cuidado diário, os detalhes da convivência, do ambiente onde vivemos, da natureza, sim, a natureza pois tenho certeza que o pôr do sol nunca foi comtemplado com tanta calma. E essa calma e consciência que devemos ter para conseguir superar mais esta fase", finaliza.

Mais consciência

Jaqueline Marafon Pinheiro é natural de Alpestre e mora em Frederico Westphalen há mais de 10 anos. Casada com César Luís Pinheiro, que é natural de FW, o casal tem um filho de um ano e cinco meses, que se chama Pedro Henrique. Jaqueline e César são professores universitários da URI/FW e compartilham as mudanças de hábitos ao longo desse período de isolamento social. “Nossa família sempre foi muito unida, mas com a pandemia e a necessidade de ficar mais tempo em casa, começamos a ficar ainda mais juntos. Conseguimos aproveitar cada fase do Pedro Henrique e todas as descobertas junto com ele de uma forma muito intensa, principalmente, porque os nossos horários de trabalho também passaram a ser mais em casa. Tenho a sensação de que esse isolamento provocou uma vontade maior de nos aproximarmos e destinar mais atenção a nossa família, tanto nos três, quanto com nossos irmãos e pais também”, comenta Jaqueline.

O casal descobriu novas formas de conviver e aproveita esse momento como uma oportunidade para se aproximarem mais e mudar alguns pontos de vista. “Descobrimos muitas coisas nesse período e uma delas, é trabalhar nessa modalidade remota de casa, de forma online. Tivemos que nos readaptar. E quanto ao consumo, nunca fomos de gastar exageradamente, mas com a pandemia começamos a analisar com mais cuidado. Então, consumimos muito menos do que já consumíamos. Acredito que essa situação serve para que possamos melhorar e progredir como humanos e valorizar quem está conosco”, completa a professora.

Cuidados e alimentação saudável

Para a família da administradora Tatiana Candaten e da assistente social, Tais Candaten, a quarentena está sendo seguida com extremo cuidado. Isso porque a mãe, Emília dos Santos Candaten tem 75 anos e integra o principal grupo de risco da Covid-19. Como Tatiana trabalha no sistema home office – o que já ocorria antes mesmo da pandemia –, somente Tais é que sai de casa, e fica responsável pelas compras, pagamento de contas e tudo o que precisa ser realizado de forma presencial.

– Estamos seguindo o isolamento social com extremo zelo. As visitas de amigos não ocorrem e de familiares foi extremamente reduzida. Quem chega, precisa tirar os calçados, usar máscara, higienizar as mãos, enfim, tomar algumas precauções. Como a Tais precisa ir trabalhar, mantemos suas louças separadas, ela não compartilha o chimarrão. Quando chega da rua, troca calçados, roupas –, revela Tatiana.

A família também mudou hábitos de consumo. Prioriza o que é essencial, como remédios e alimentação, que passou a ser mais saudável, com um olhar atento para o que fortalece a imunidade. “Creio que quando tudo isso passar, vamos dar continuidade a esse costume de não entrar em casa com o mesmo calçado que é usado na rua. Já cuidávamos isso e deveremos estender para os visitantes. A higienização com mais frequência das mãos é outro hábito que veio para ficar, assim como o consumo mais consciente. A gente aprende que precisamos valorizar mais esses momentos junto às pessoas que amamos. No fim das contas é só o que importa. Ser feliz e valorizar isso”, analisa.

*Márcia Sarmento, Suzana Busanello e Thiago Henrique, jornalistas