A notícia de que a peste suína africana (PSA) chegou ao continente americano acendeu um sinal de alerta no setor produtivo do Brasil. Nesta semana, a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) recebeu a notificação de um caso da doença na República Dominicana, na América Central. A PSA, que é altamente contagiosa e sem cura, tem provocado estragos desde 2018 na Europa e na Ásia, sobretudo na China, que teve uma parcela  do  rebanho dizimada.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que os procedimentos de biosseguridade adotados pelo setor foram atualizados e divulgados aos associados pela diretoria técnica, com foco na movimentação intrassetorial de pessoas. Também foi reforçada a campanha Brasil Livre de PSA, que traz alertas contra a visitação a granjas, por exemplo. A entidade convocou, em caráter emergencial, o Grupo Especial de Prevenção à Peste Suína Africana  para a discussão de novas ações no âmbito privado.

“Imediatamente após a divulgação da notícia, estabelecemos contato com o Ministério da Agricultura e iniciamos tratativas para a composição de medidas preventivas em portos e aeroportos, além das granjas, que são os principais pontos de atenção”, relata o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

No Rio Grande do Sul, o presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal  (Fundesa), Rogério Kerber, considera que o Brasil, e em especial o Estado, precisam estar alertas. “É necessário manter as medidas existentes e aumentar ainda mais os cuidados”, resume. No Brasil, a última ocorrência da PSA foi registrada em novembro de 1981, em Pernambuco. O país foi declarado livre da doença em 1984.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Agricultura divulgou o Plano Integrado de Vigilância de Doenças dos Suínos, que visa fortalecer a capacidade de detecção precoce de casos de peste suína clássica, peste suína africana e síndrome reprodutiva respiratória dos suínos. O texto repassa normas anteriormente voltadas para a PSC, ampliando o escopo de doenças-alvo. “A vigilância envolve ações contínuas e conjuntas de responsabilidade dos setores público e privado”, ressalta o diretor do Departamento de Saúde Animal do ministério, Geraldo Moraes.

C.P.