Natural de Sarandi (RS) e palmeirense de coração. No decorrer das próximas páginas, você conhecerá uma história de vida de superação, coragem e inspiração diária.

Daniela Bonfantti é uma mulher sonhadora que sempre enfrentou os desafios como um aprendizado, buscando, por meio do contato com as pessoas, dar sentido ou contribuir de alguma forma na vida do próximo. Aos 43 anos, Dani impacta vidas e distribui sorrisos.

Mas esse relato abrange anos de superação e conhecimento. É a trajetória de uma vencedora. Aos 17 anos mudou-se para Passo Fundo, onde começou a cursar Ciências Biológicas. Os meses foram passando e, entre angústias e medos, decidiu interromper seus estudos e voltar para a casa dos pais em Palmeira das Missões. Dani foi diagnosticada com depressão crônica. Quem sabe muitos pensavam “nossa, mas ela é tão nova”. Sim, tão nova, mas mesmo assim com enorme vontade de viver e vencer.

Há 25 anos, muitos não compreendiam o que era depressão e pensavam ser impossível uma menina tão nova estar passando por aquilo. E realmente, não foi fácil!

– Eu sentia uma forte tristeza dentro de mim e sabia que aquilo não estava normal –, iniciou ela, ao dividir conosco momentos decisivos. E a partir daquele momento, iniciou um tratamento, foi se fortalecendo e se cobrindo de amor! Após um longo período em casa, Dani precisava mudar e foi nesse momento que a reviravolta começou.

Já trabalhando na empresa familiar, conhecida como Holanda Veículos, Dani precisava mais do que isso, e voltou a estudar. Iniciou o curso de Publicidade e Propaganda na Unicruz, em Cruz Alta e, entre 193 km de ida e volta, fez esse trajeto durante toda a graduação. Nesse meio tempo, entre livros de autoajuda e consultas a psicólogos e psiquiatras, a menina/mulher buscava respostas. “Não me faltava motivação, mas eu sentia uma dor e não conseguia compreender de onde ela vinha. Era uma briga interna, entre medo e uma grande vontade de lutar”, destacou ela, com a voz embargada ao lembrar de um dos momentos mais marcantes da sua vida.

Compreendemos melhor a palavra inspiração quando buscamos no Google e ele nos descreve: ato ou efeito de inspirar(-se), conselho, sugestão ou influência. Lhe instigo a guardar essa palavra, a fim de compreender quem foi e quem é hoje, Daniela Bonfantti.

Quando Dani foi diagnosticada, seu médico confirmou que ela tomaria remédios para sempre. Mas aquilo não era aceitável para ela. O tempo foi passando, novas vibrações começaram a florescer e, antes de encerrar a graduação, Dani decidiu que não seria mais dependente de remédios. Ela queria sorrir, socializar, dançar e ser quem ela quisesse ser: leve. Ela queria viver!

Formou-se em publicidade e decidiu alçar novos voos. Mudou-se para Florianópolis (SC) e começou a busca pela compreensão e o auto entendimento sobre a doença que a acompanhava. Procurou terapia alternativa, estudou Reiki (técnica de amor e cura baseada na canalização da energia universal) e iniciou outra graduação, Parapsicologia Clínica.

“Comecei a me reconstruir”. Se formou, compreendeu os obstáculos e mais do que nunca, tão cheia de confiança e obstinada a (re)viver e se ressignificar, seus medos deram espaço para uma nova versão.

Mulher de negócios

Encerrou o ciclo em Florianópolis e voltou a Palmeira das Missões e, novamente, junto a Holanda Veículos, Dani se reformulou. Iniciou a sua jornada no mercado de trabalho, ao assumir a administração da nova unidade da empresa em Frederico Westphalen. Como vendedora da loja, ampliava cada vez mais seus conhecimentos. Para além da concessionária, iniciou a sua jornada como vendedora de automóveis e, em constante movimento, de ponta a ponta da região Noroeste, firmava o seu nome como referência em vendas no mundo dos negócios.

Entre um negócio firmado e um sorriso de gratidão, Dani se redescobria. Entre Frederico e Palmeira, não parava por ali, percorria quilômetros e conquistava o seu espaço.

Aos 34 anos, Dani não queria mais ser apenas aquela versão, a nossa Bella tinha um novo sonho: ser mãe e construir uma família. Namorando há dois anos com Denis Nunes de Lima, com quem é casada há 13 anos, a gerente e consultora de vendas prosperou novos rumos. Tornou-se mãe do Davi Bonfantti de Lima que, atualmente, tem nove anos, e começou a construir a sua família.

Os anos foram passando e seu marido resolveu empreender. Nasce naquele momento, a casa de festa Rudáh, em PM. Entre as funções de mãe e vendedora, Dani se dividia em trabalhos de caixa, divulgação, recepção e fotografia, sem medo de novos desafios. Dani nunca parou e jamais pretende parar. Reflete em seu jeito autêntico de ser, uma mulher determinada.

Mãe de família

Das tantas versões profissionais de Dani, a gerente de negócios precisava recuar. “Eu percebi que o meu filho precisava de mim naquele momento, que eu precisava me dedicar a ele, ensinar a escrever, preparar a sua alimentação e compartilhar brincadeiras que arrancassem sorrisos do pequeno Davi”, lembrou emocionada.

A Dani multifunções precisava estacionar por um instante e direcionar a sua atenção a sua escolha de vida: seu filho Davi!

Entre conversas, a admiração por Dani era inevitável. Quando perguntada sobre o significado de ser mãe, ela exclama: “Ser mãe é um presente. É uma oportunidade que eu estou tendo de me ver quando eu era criança e poder nutri-lo de amor e atenção. É ter a oportunidade de ser uma pessoa melhor”.

Infelizmente, ainda nos dias em que vivemos, a sociedade exige muito das mulheres e Dani sentiu na pele os julgamentos por suas escolhas. “Eu posso sair e lutar sim, mas, eu compreendi que não era o externo que podia me atingir, muito menos as críticas, eu precisava entender que eu tinha um filho pequeno e que ele precisava de mim”. E assim ela fez, enfrentou a sociedade e não se limitou a opiniões.

Mas deixa eu lhe contar uma época, se não a mais importante da vida de Dani, antes de levá-la a interromper, por determinado tempo, sua vida profissional.

Campeã Fisiculturista

Após pouco mais de um ano do nascimento de seu filho, Dani começou a investir em si. Aos 36 anos encontrou, nas redes sociais, o treinador Fabio Chiodini, de Blumenau (SC), e comprou um pacote de três meses para mudar o seu estilo de vida.

Além do treinador a distância, Dani investiu em um personal trainer e, foi a partir desse momento que ela foi evoluindo, se corrigindo e aprendendo.

Com três sessões de exercícios físicos por dia, combinadas com uma dieta saudável, perdeu gordura localizada e começou a ganhar massa muscular. E nesse período, de férias em Santa Catarina, teve a oportunidade de treinar pessoalmente com Fabio, que se interessou e se prontificou a fazer uma avaliação física com Dani, de biquini e salto alto. “Por que você não compete?”, questionou o treinador. Com os olhos perturbados, Dani lembra da sua reação ao pensar como as coisas foram acontecendo em sua vida.

Entre tantos processos burocráticos que eram necessários para que ela se filiasse ao fisiculturismo, começou a investir para futuramente competir. Para o treinador, Dani se encaixava na categoria Master, que era acima de 35 anos; na categoria Biquini, que era para o porte de mulheres com estrutura mais magra e músculos levemente marcados; e ainda na Senior, uma categoria que faz a classificação por altura acima de 1,65 metros, sem mínima ou máxima de idade. “É claro que eu tive um pouco de receio, afinal, era necessário colocar um biquini e ser avaliada por vários jurados por uma condição física”, contou.

A preparação começou a ser intensa e, aos 38 anos, Dani enfrentou o seu primeiro campeonato, inscrevendo-se em duas categorias, na Master e Senior, onde conquistou o título de campeã em ambas. A competição foi realizada em 2016, em Novo Hamburgo (RS).

Em meio aos detalhes e cuidados redobrados na pré-competição, uma semana que antecede aos campeonatos, Dani ingeria 10 litros de água por dia e, dois dias antes, iniciava o processo de Carb Up, que é a ingestão de carboidratos em grande quantidade, para conquistar o efeito desejado na hora do evento.

Após a primeira competição, Dani classificou-se para o Estadual, onde também ficou em 1º lugar nas mesmas categorias. E na sequência foi classificada para o campeonato brasileiro, que seria sediado em São Paulo.

Determinada, Dani enfrentou mais uma preparação, ficando em 3º lugar no brasileiro, e conquistando a vaga para o campeonato Sul-Americano. Viajou para o Equador, onde concorreu com diversos países. A brasileira subiu ao pódio como campeã Sul-Americana.

Imensamente agradecida pelas oportunidades que apareceram em sua vida e por Fabio lhe impulsionar a ser atleta, Dani queria ir mais além e tinha mais um sonho como meta, ser preparada pelo maior treinador do Brasil, Ricardo Pannain, reconhecido por treinar a melhor atleta do mundo. Obstinada, entrou em contato e firmou um contrato com o seu novo mestre. Ela chegou lá!

A próxima competição seria realizada na Colômbia e ao lado de Ricardo, preparou-se novamente e investiu em mais profissionais ao longo desse processo. Dani conquistou novamente o 1º lugar nas categorias Master e Senior. Com duas titulações internacionais, tornou-se atleta profissional registrada e reconhecida no pró-cardi. Em palcos colombianos, encerrou a carreira de Fisiculturista.

Dani já havia conquistado tudo o que sonhava e foi muito mais além do que sempre almejou, um ano intenso, entre viagens e competições, mas ela precisava parar, voltar e retomar a sua vida junto a sua família. “Eu cheguei onde cheguei porque as coisas foram acontecendo naturalmente, sem planos. Para finalizar a minha carreira fui treinado pelo gênio do esporte, o que era a minha maior meta, e eu cheguei lá”, relembra ela, entre um sorriso e uma palavra de carinho das memórias que a acompanham diariamente. Ela completa: “escolhi ter um filho e construir uma família, então, eu precisava voltar para eles. Um dos maiores riscos que corremos é deixar que o ego nos sabote. Eu conquistei o que eu almejei, mas também soube escolher parar e recuar quando chegou a hora. Hoje eu sou uma atleta, então, não digo que nunca mais vou competir, quem é que sabe o dia de amanhã?”, reflete.

Hoje em dia, Dani continua treinando, pois ela aprendeu a gostar de se alimentar corretamente, praticar exercícios físicos e adotar isso como um hobby diário. A academia se tornou seu maior hábito saudável para que o corpo, a mente e a alma estejam sempre em equilíbrio. “Esse é o meu remédio”.

Dani hoje é uma das mulheres que podemos chamar de influenciadora. Com mais de 30 mil seguidores em seu Instagram, instiga a reflexão sobre o que é “qualidade de vida?”. Ela inspira outras mulheres a buscarem uma vida mais saudável, independentemente da idade, encorajando-as, influenciando-as e caminhando junto. “É isso que me move. Fazer o bem para alguém é o que me faz ser o meu melhor amanhã”.

O que a Dani de hoje diria para as nossas leitoras? Diria que “às vezes você não faz alguma coisa, esperando o momento perfeito, a ocasião perfeita. Por mais clichê que pareça, o momento perfeito é sempre o agora, não depois ou amanhã. Não é um momento perfeito que precisamos esperar, porque tudo se modifica, o que era perfeito ontem, pode não ser mais suficiente amanhã. Então viva esse momento, viva o hoje e comece agora”.

Em casa, Dani conseguiu adotar hábitos saudáveis no cotidiano da família e de outras pessoas que a cercam. “Hoje o Denis e o Davi também gostam de se alimentar bem”. Ela é uma bela mulher, com um estilo de vida de encher os olhos!

E é por isso que Dani busca estar em constante movimento e aprimorar seus conhecimentos. Hoje em dia, ela faz pós-graduação em treinamento esportivo. “Eu já tinha vivido na prática, mas eu precisava da teoria”, conta ela sobre os seus futuros planos, para poder, enfim, ajudar e auxiliar outras pessoas. A mãe, a esposa, a fisiculturista, vendedora, publicitária ou parapsicóloga. As versões se reconhecem e conversam por si. É sobre nutrir o corpo e alma, recarregar as energias, se (re)construir e (re) conectar em suas novas e infinitas Daniela’s.

Para você, ser Bella é?

É poder ser autêntica, se sentir livre para tomar as suas próprias decisões e sentir-se bem consigo mesma. Ser Bella é ser guerreira, se transformar e enxergar a vida e tudo o que nos rodeia como uma oportunidade.