O preço do trigo estabeleceu novo recorde histórico nesta semana no Rio Grande do Sul, segundo a pesquisa diária de comercialização do grão feita pelo Cepea/Esalq/USP, e chegou ao maior patamar desde 2004, quando a série começou a ser calculada. Na terça-feira, a cotação da tonelada do cereal chegou a R$ 1.522,45, equivalentes a R$ 91,34 pela saca de 60 quilos, quase 50% mais do que os R$ 1.032,58 de 27 de abril de 2000. No Paraná, o valor atingiu R$ 1.628,12.

De acordo com os analistas da instituição, os preços do trigo seguem aquecidos por estarem atrelados ao valor da saca de milho, também em alta, e porque os dois grãos são ingredientes de rações, em especial para as cadeias de avicultura e suinocultura.

O diretor-executivo da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro), Sérgio Feltraco, diz que os preços do Cepea reforçam que este é o momento do produtor pensar na sua rentabilidade. Informa, ainda, que o preço médio que as cooperativas pagaram pela saca   em abril foi de R$ 80,00, valor sem precedentes para a cultura. Dianta da conjuntura, Feltraco aposta no aumento da área plantada, que deverá ultrapassar 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2013. “Mesmo com custos de produção que prometem ser altos por estarem atrelados ao dólar, a margem de lucro do produtor é boa e deve se manter ao longo de toda a safra”, prevê.

A primeira estimativa de custos feita pela Fecoagro para o trigo, em fevereiro, sugeriu que o produtor precisaria colher 53 sacas (cotadas a R$ 66,00 na época) para pagar o custo de plantio projetado em R$ 3,99 mil por hectare. Com o preço atual, o gasto cairia para 49 sacas. Conforme a Emater/RS-Ascar, os produtores da maioria das regiões estão em fase de planejamento das lavouras.