A estiagem que obrigou diversos municípios do Rio Grande do Sul a decretar emergência no ano passado continua ameaçando a produtividade da safra em 2021. Sem volumes de chuvas consideráveis desde o ano passado, muitos produtores enfrentam a escassez de água não só para manter a umidade do solo, como também para desssedentação animal e até humana.

Conforme o gerente da Emater Regional de Frederico Westphalen, Luciano Schwerz, a situação na região é preocupante. Abrangendo 42 municípios, a Emater já verificou que muitos agricultores não conseguiram realizar a implantação de forragens e pastagens para o período outonal e de inverno. “Temos um atraso nessas áreas e aquelas que já foram implantadas não se desenvolveram. Então, há uma escassez muito grande de pastagens associada ao alto custo de produção do leite, o que tem inviabilizado muitas propriedades. Infelizmente, muitos estão repensando a bovinocultura de leite”, explicou.

Segundo o gerente regional, as culturas que ainda estão no campo como a soja safrinha, o feijão 2ª safra e o milho 2ª safra, que parte é destinada à silagem, estão bastante prejudicados.  “Estamos há um bom tempo sem chuvas, em abril tivemos uma média de 20 milímetros na região, e isso fez com que se acelerasse o ciclo do feijão, o que com certeza vai comprometer o potencial produtivo dessas culturas na região”.

Para o chefe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de FW, Mateus Stefanello, a situação é bem complicada. “Estamos há mais de um ano com baixa precipitação. Agora, o que mais preocupa é a questão da alimentação dos animais, porque há um desabastecimento de pastagens e do milho safrinha usado para a silagem. A soja safrinha que está sendo colhida apresenta perdas e os produtores de leite enfrentam dificuldades porque a pastagem de verão terminou antes e o plantio da pastagem de inverno está atrasado”, complementa.

Abastecimento de água

Outra situação apontada pela Emater Regional de FW se refere ao abastecimento hídrico das propriedades da região. “Muitas propriedades estão com falta de água e estão necessitando do apoio das prefeituras, que levam água com caminhão-pipa. São dificuldades para a dessedentação animal e até humana”, comentou Schwerz.

Em Frederico Westphalen, a prefeitura, por meio das secretarias de Agricultura e de Obras, está levando água ao interior com caminhões-pipa. A média mensal é de 700 mil litros de água. Com entrega semanal e até diária, dependendo da localidade, estão recebendo auxílio, propriedades das linhas São José, Barra Grande, Brondani, São Roque, Barra do Braga, Alto Castelinho, Cerro do Leão, São Luís e Lajeado Bonito.

Segundo a Defesa Civil Regional – CREPDEC 7 - Frederico Westphalen, até agora, Planalto decretou emergência em virtude da estiagem. O decreto foi publicado no último dia 3, mas ainda depende da homologação por parte do Estado, caso o panorama atenda aos requisitos previstos na legislação, para posterior validação pelo governo federal. Se o decreto seja homologado pelo Estado e depois reconhecido pela União, há reconhecimento da área afetada, agilizando o encaminhamento de seguros, principalmente, na agricultura. O reconhecimento também ampara o governo municipal para realização de compras e obras emergenciais.