Em coletiva à imprensa na tarde desta segunda-feira, 29 de janeiro, o promotor de Justiça João Pedro Togni respondeu que a água tratada pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) que chegou às torneiras dos consumidores em 2017 era potável.  "A saúde da população foi respeitada, e o trabalho continua neste sentido, de zelar e aumentar o espectro dessa tutela do direito à saúde da população", observou Togni.

Em janeiro deste ano, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) divulgou resultado de pesquisa que mostrou que entre 300 municípios gaúchos analisados, Frederico Westphalen foi um dos que apresentou índices do herbicida atrazina além do permitido pela legislação em amostra coletada em 2016. A substância chega aos mananciais por meio da água da chuva.

Os relatórios relativos a 2018 ainda não foram liberados, mas em audiência pública na Promotoria de Justiça de Frederico Westphalen nesta tarde, ficou definido que a 19ª Coordenadoria Regional de Saúde (19ª CRS) irá solicitar se é viável que a estatal apresente relatório mensal sobre as condições da água, e não semestral como é atualmente. A resposta deve chegar até 9 de fevereiro.

O encontro ainda serviu para aproximar profissionais que atuam na Corsan, nas secretarias municipais de Saúde e nas Vigilâncias Sanitárias. "Os laudos são feitos pela Corsan, mas iam diretamente à Secretaria Estadual de Saúde [SES] e levava bastante tempo até chegarem aos municípios, que só tinham conhecimento meses depois", explicou.

A ideia é atalhar o caminho, para que a estatal encaminhe diretamente os relatórios ao poder público das cidades. Fazem parte da comarca, Frederico Westphalen, Caiçara, Palmitinho, Pinheirinho do Vale, Taquaruçu do Sul, Vicente Dutra e Vista Alegre.

Proteção contra outros agrotóxicos

A ideia do MP é alcançar fiscalização adequada a fim de evitar a contaminação da água por todos os tipos de agrotóxicos, não só pelos que são mencionados nas portarias da SES e do Ministério da Saúde.

Água contaminada não havia passado por tratamento

Os representantes da Corsan expuseram que o uso indevido de agrotóxicos não atinge somente a água bruta e que a estatal busca a eliminação de todos os que estão presentes na água quando detectados durante as fiscalizações. Além disso, a Estação de Tratamento é a barreira existente para que a população não tenha acesso à água contaminada e a amostra de água apresentada no estudo ainda não havia chegado à estação, portanto, não passara por tratamento ou pelo carvão ativado, o qual integra o processo de finalização.

Maior rigidez na fiscalização e acesso público às informações

Como a atrazina tem sido encontrada em Frederico Westphalen e a empresa não tem controle sobre a água que recebe, a 19ª CRS tornará mais rígida a fiscalização nos municípios onde foi detectada contaminação.

As Administrações municipais vão disponibilizar à população em seus sites o acesso aos relatórios de qualidade da água encaminhados pela Corsan.