Buscar alternativas para dar eficácia à política estadual de irrigação, ampliando-a com novos programas e aperfeiçoando os existentes. Com esse objetivo, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Sapdr) publicou, nesta sexta-feira (22/5), a Instrução Normativa 10/2020, que cria a Câmara Temática da Irrigação.

Segundo o secretário Covatti Filho, a intenção é ouvir sugestões de representações de produtores rurais, fabricantes de equipamentos, empresas elaboradoras de projetos e demais parceiros da irrigação. “Investir em irrigação é a melhor resposta que podemos dar para a seca. Por isso criamos a câmara temática para discutir um programa consistente para ampliação da área irrigada no Estado e garantir mais segurança ao produtor quando faltar chuva”, pondera Covatti.

O diretor de Políticas Agrícolas da Seapdr, Ivan Bonetti, informa que os cultivos de verão como milho, soja e feijão, além de outros de sequeiro como frutíferas e hortaliças, somam cerca de 7 milhões de hectares, dos quais, atualmente, menos de 3% contam com irrigação. “Existe também a necessidade de irrigação nas pastagens para a produção leiteira e de corte”, argumenta.

Por outro lado, conforme Bonetti, o regime anual de chuvas do Rio Grande do Sul é muito bom, ao redor de 1.600 mm/ano. “O que permite fazer reservação de água que normalmente é usada como irrigação suplementar, ou seja, utilizada por algumas semanas nos meses de verão, mas sendo decisiva para garantir boa produtividade das lavouras”, explica Bonetti.

A Seapdr desenvolve o programa Mais Água, Mais Renda, cuja licença de operação foi recentemente estendida por mais um ano pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). “Graças a este programa, foram irrigados 86,5 mil hectares nos últimos anos, sendo que 70% nos três anos subsequentes à estiagem de 2012. O programa Segunda Água, em parceria com o governo federal, também vem beneficiando agricultores familiares”, disse Bonetti.

Por meio da Câmara Temática da Irrigação, a expectativa é ampliar tanto a reservação de água como os projetos de irrigação, para que os agricultores tenham mais segurança em suas atividades. “Assim, estarão preparados para enfrentar as recorrentes estiagens no Estado”, projeta Bonetti.