Natalia Nissen

Após determinar mudanças no tráfego sobre a ponte que liga o Rio Grande do Sul a Santa Catarina, na BR-158 (BR-386), uma equipe do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e da Sogel Construções, de Porto Alegre, vistoriou a estrutura na terça-feira, 19. Engenheiros do órgão e da empresa, acompanhados do superintendente do Dnit de Cruz Alta, Luiz Augusto Bassani, observaram as condições da ponte durante o trânsito de veículos. Uma equipe de mergulhadores também realizou uma vistoria subaquática pelo rio Uruguai.

Segundo o engenheiro e diretor técnico da Sogel, João Miguel Bastian, a obra projetada em 1972 tinha um cálculo para trem de carga de até 36 toneladas, no entanto, o trem de carga atual é de até 45 toneladas. “É uma obra muito bem executada, mas que apresenta algumas movimentações acima do normal. O trânsito na ponte é muito acima daquele que foi projetado na obra. Estamos investigando as causas dessas movimentações e com o diagnóstico vamos desenvolver um projeto para fazer as mudanças”, explicou.

De um total de seis vãos na ponte, apenas dois apresentam o balanço acima da média. A análise dos engenheiros deve apontar, ainda, porque a movimentação acontece em determinado ponto, e não em toda a extensão da ponte.

– Em princípio, não há risco iminente. É uma obra em boas condições. Com as restrições aplicadas ao local, é seguro passar na ponte e não é necessário ter preocupação excessiva. A sobrecarga que transita nas rodovias como um todo é um dos fatores que contribuem para a deterioração das estruturas –, acrescentou o engenheiro.

De acordo com informações extraoficiais de um dos engenheiros do Dnit, responsável pela avaliação, a borracha entre os vãos estaria comprometida, prejudicando ainda a estrutura de concreto da ponte. Se o problema não for amenizado com o trânsito em meia pista, o órgão poderá determinar que os veículos transitem no centro da pista para não sobrecarregar um dos lados da ponte.

Restauração da BR-158

De acordo com o superintendente do Dnit de Cruz Alta, em até um ano deve iniciar o processo de restauração da BR-158, do quilômetro zero (sobre a ponte do rio Uruguai, em Iraí) ao quilômetro 265, em Júlio de Castilhos. As obras incluem manutenção da rodovia, sinalização e utilização de Concreto Poroso Asfáltico (CPA). O CPA possui 25% de porosidade, enquanto o asfalto atual possui apenas 5%. Em dias de chuva, o material reduz a neblina formada pela passagem dos veículos sobre a pista molhada, aumentando a visibilidade.

Há cerca de um mês, a Construbrás realizou uma operação tapa-buracos em caráter emergencial no trecho entre Boa Vista das Missões e Iraí. A obra e a restauração fazem parte do contrato do programa Crema 2ª etapa, que tem a duração de cinco anos.

 

Foto: André B. Piovesan

Natalia Nissen