A recente situação de vulnerabilidade entre os indígenas que comercializam artesanato no município de Frederico Westphalen se tornou tema de debate entre Ministério Público, integrantes da Rede de Proteção municipal, da Funai e líderes indígenas da tribo Kaingang. O encontro público foi motivado devido aos indígenas que permanecem expostos a situações de risco no município e foi realizado na manhã desta terça-feira, 8, no auditório da Promotoria da Justiça. 

Os indígenas tem no artesanato a principal forma de sustento, entretanto, conforme as lideranças de Iraí e Vicente Dutra que estiveram presentes, eles retornam para as tribos apenas quanto conseguem angariar uma quantidade suficiente de dinheiro. Por isso, em diversas oportunidades, pernoitam na Estação Rodoviária ou em outros lugares, colocando crianças e adolescentes em situações de risco.

Com o objetivo de ter um controle maior quanto a movimentação indígena e quantos permanecem no município, uma das medidas definidas durante a audiência e que será adotada já nos próximos dias, é a confecção de uma “declaração de descolamento”. O documento já é utilizado em outros municípios e tem como finalidade deixar as autoridades (Funai e Conselho Tutelar) conscientes sobre o número de pessoas que estão se deslocando para trabalho, além do período em que permanecerão fora da aldeia.

Além disso, um dos temas que permaneceu em debate durante a audiência foi a destinação de uma área, com condições mínimas, para que os indígenas possam passar a noite no local. Conforme o coordenador regional da Funai, Aécio Magalhães, os indígenas não precisam de uma casa ou uma estrutura, tendo em vista que eles dormem em barracas, entretanto, há a necessidade de que o local tenha energia elétrica e água. Uma das alternativas levantadas durante a audiência foi a área localizada em frente à prefeitura, antigamente ocupada pela Companhia Intermunicipal de Estradas Alimentadoras (CINTEA).