Um projeto que vem sendo desenvolvimento pela Regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen promete apresentar aos produtores rurais, novas culturas graníferas que são alternativas ao milho 2ª safra. Na semana passada, os municípios de Iraí, Cristal do Sul e Pinheirinho do Vale sediaram Dias de Campo sobre o sorgo, uma possibilidade de plantio para a 2ª safra.

– O projeto consiste em avaliar a adaptação de sete materiais em nossa região, considerando diferentes sistemas de produção, a maioria em áreas que foram cultivadas com soja, milho ou feijão na primeira safra. Dentre os principais pontos observados, estão o cuidado com o manejo e controle de plantas invasoras, o ataque de pulgão e a época de implantação –, explica o gerente regional da Emater, Luciano Schwerz.

Atualmente, conforme a Emater, a região ainda não possui áreas de grande expressão comercial destinadas ao sorgo. Há algum destaque em Jaboticaba, e menores espaços em Iraí. Entretanto, em se tratando de silagem, o sorgo tem se apresentado como uma excelente alternativa para a segunda safra, tendo em vista a tolerância ao estresse hídrico, menor custo de produção e boa qualidade do produto ensilado.

– Outra questão é que o sorgo não é atacado pela cigarrinha, que comprometeu muitas lavouras de milho silagem 2ª safra em nossa região. A cultura exige menos aplicação de inseticida, sendo que a praga-alvo do manejo do sorgo é o pulgão –, alerta.

Os híbridos que estão sendo testados são Nugras 430, Nugras 320, Nugras 250, sorgo Foz e Sorgo Alvo, da Nuseeds e as cultivares 84g05, 50A60 e 50A40 da Pionner Sementes. As semeaduras iniciaram no dia 12 de fevereiro e se estenderam até 2 de março, implantadas nos municípios de Sarandi, Ronda Alta, Palmeira das Missões, Jaboticaba, Cerro Grande, Cristal do Sul, Iraí e Pinheirinho do Vale.

– A implantação das lavouras em fevereiro foi um desafio, pois foi um mês seco e, mesmo assim, a emergência das plantas aconteceu de forma homogênea, garantindo um estande de plantas aptas, que variou de 200 e 250 mil plantas por hectare. No decorrer do ciclo, em março, as boas chuvas permitiram a aplicação de nitrogênio e manejo de plantas invasoras com herbicidas. Abril e maio foram meses mais secos e críticos para o desenvolvimento, e foi nesse momento que o sorgo demonstrou sua eficiência no uso da água, apresentando uma ótima tolerância à estiagem –, detalha o gerente regional da Emater.

Rendimento

Em termos de rendimento, segundo Schwerz, o sorgo pode, facilmente, ultrapassar 20 toneladas de massa/hectare. “No entanto, a qualidade da silagem do milho se sobressai, por isso, o sorgo precisa ser visto como mais uma alternativa, em especial, para a 2ª safra, claro, sempre dependendo do nível tecnológico da propriedade”, disse.

Schwerz adianta que, nos próximos dias, a Emater deve divulgar o resultado de produtividade e rentabilidade das lavouras. “É para que os produtores possam incluir o sorgo como alternativa de segunda safra, com custo menor, maior tolerância à estiagem e alternativa de fonte de energia que complementa a dieta dos animais e, em caso de dificuldade com a cultura do milho, possa ser substituído o ilho na ração”, finaliza.