Sebastião de Araújo Melo, nascido Piracanjuba/GO, 24 de julho de 1958, é o atual prefeito de Porto Alegre. Filiado ao MDB desde 1981, Melo foi vereador da cidade entre 2001 e 2012, além de ser vice-prefeito da capital de 2013 a 2017, durante a gestão de José Fortunati. Em 2018 foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul, cargo que exerceu até 2021, quando decidiu concorrer ao pleito na capital do RS. Sebastião Melo foi eleito com 54,63% dos votos válidos, contra 45,37% da concorrente, Manuela D’avila (PCdoB). Curiosamente, Melo chegou ao cargo máximo em uma das principais capitais do Brasil 42 anos depois desembarcar sozinho e sem ter onde dormir, vindo da cidade goiana de Piracanjuba. Durante sua campanha, destacou como metas, recuperar o setor econômico, cancelar os aumentos do IPTU e incentivar as micro e pequenas empresas. Durante entrevista exclusiva aos veículos de comunicação do Complexo Luz e Alegria, Sebastião Melo faz um balanço deste um ano e meio à frente da capital do Estado e ressaltou que, cada vez mais, estará junto da comunidade para saber dos seus anseios. Melo critica a postura dos políticos em Brasília que, segundo ele, pouco fazem pelos municípios e espera que haja uma mudança dos parlamentares em relação às emendas que auxiliam, mas ao mesmo tempo, endividam as cidades com as chamadas “contrapartidas”.  

FOLHA: Qual sua avaliação neste um ano e seis meses de gestão?
Sebastião Melo:
O que está acontecendo em Porto Alegre é que nós estamos cumprindo aquilo que prometi nas urnas. Infelizmente, na política, às vezes, você vê alguém disputar uma eleição, dizer uma coisa e entregar outra ou não entregar nada no mandato. Quando assumimos, nós reabrimos a cidade com responsabilidade, porque eu acho um profundo equívoco a condução da pandemia no Rio Grande do Sul pelo governo do Estado e como vinha sendo feito pela Prefeitura de Porto Alegre. A primeira decisão foi a seguinte: Como é que nós vamos retomar de forma responsável? Apostamos muito na vacina em Porto Alegre, que liderou nacionalmente as aplicações, não só vacinando os porto-alegrenses, mas tomamos uma decisão logo na saída de que todos que frequentassem a cidade, especialmente da Região Metropolitana, pudessem ser imunizados. São cerca de 150 mil pessoas que circulam aqui, mas não residem em Porto Alegre. Nós avançamos na vacina e fomos retomando as atividades em um processo de bandeiras, que depois mudou novamente, e nós mantivemos porque nós não víamos razão de mudança. Não era justo o ambulante vendendo seus objetos nas ruas da capital e os pequenos mercados fechados. Essa foi a primeira questão que solucionamos. A segunda questão foi que conseguimos reduzir quatro impostos de áreas importantes, começando pela inovação. Não aumentamos nenhum imposto e não vamos aumentar. Melhoramos muito o licenciamento da cidade porque quando o empreendedor chega ele quer ter segurança jurídica, ele quer licenciar rápido, ele quer saber que as coisas vão acontecer. Hoje, nós regulamentamos a lei da Liberdade Econômica à lei municipal. A cada 10 empresas que nascem em Porto Alegre, sete delas não precisam mais carimbo por papel, nós temos um Tudo Fácil que disponibiliza três modelos de contratos que a pessoa, em até 12 passos, pode abrir sua microempresa. Então, facilitamos muito a abertura de negócios. 

FOLHA: Como fica a situação da Carris, a empresa de transporte público da capital?
Sebastião Melo:
Não é papel de prefeitura, de governo, do Estado, de ser dono de empresa de ônibus. Além da Reforma da Previdência, que foi aprovada no primeiro ano, com projetos estruturantes, nós vamos autorizar a privatização da Carris. O serviço das linhas de ônibus precisa melhorar e o custo está alto. Mantivemos o valor da passagem a R$ 4,80. O próximo passo é ver se há comprador para a Carris. O mesmo ocorre com as casas de saúde como o Hospital Divina Providência, a Santa Casa ou até mesmo o Araújo Viana, que também foram repassados para iniciativa privada. A Carris vai a leilão ainda neste ano e espero e torço que tenha um comprador.

FOLHA: Fale da atuação prefeitura de POA para auxiliar as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade? 
Sebastião Melo:
Esse assunto é mais amplo. Não é só de Auxilio Brasil ou outro beneficio que necessitam os porto-alegrenses, eles necessitam de melhores condições para viver de maneira digna. Sabemos que há muito desemprego, mas o Sine de Porto Alegre tem auxiliado a recolocar as pessoas no mercado de trabalho. Por outro lado, também não há qualificação profissional e isso está errado. Isso tem que mudar no Brasil. Precisamos trocar o assistencialismo pela qualificação profissional, este é o nosso papel, auxiliar as pessoas para que possam concorrer a essas vagas. Já em relação às pessoas que vivem em situação de rua, a prefeitura, nos dias mais frios, tem colocado à disposição dos moradores o Ginásio do Tesourinha. 

FOLHA: Fazendo um comparativo, você é o prefeito que mais está inserido na comunidade?
Sebastião Melo:
Não é porque eu sou prefeito. Isso vale para vereador, também deputado ou para presidente. O poder local é o mais importante da vida de um político. A vida dele está ligada ao bairro dele, à rua dele. Sua ação tem interferência direta no poder local. Eu gosto de governar ouvindo a população, sem ser populista. Eu não vou aos bairros umas 200 vezes para saber o que a comunidade necessita. Uma vez por mês, atendo os porto-alegrenses no mercado público. Fico lá a tarde toda atendendo todo mundo para saber suas necessidades. Se o ônibus está passando na sua rua, se o atendimento nos postos de saúde não está bom, se o bairro está seguro. Faço isso de coração porque eu prefiro ouvir as pessoas do que inaugurar obras. Faço reuniões no meio da rua, a vistoria nas obras nos bairros todos os sábados. Eu gostaria de resolver todos os problemas da população, mas falta dinheiro porque o Brasil é um país injusto. Tem muito imposto porque o pobre é o que paga mais imposto direto, mas o retorno do imposto é muito ruim. Você vê essa marcha dos prefeitos em Brasília brigando por melhores condições para sua população. É Brasília, Brasília, Brasília, Brasília, com essas emendas parlamentares que atendem o interesse dos deputados e não dos municípios. Dão uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão, a obra custa R$ 3 milhões e a administração fica com um pepino pra resolver. Então, enquanto o país for mais Brasília e menos Brasil, as questões locais não vão se resolver.