Terceiro maior produtor de soja do país, o Rio Grande do Sul tem uma média de produtividade de 51,2 sacas/hectare, segundo o Atlas Socioeconômico do RS. No Brasil, o patamar foi de 54,5 no ano passado. Mas um agricultor da região conseguiu dobrar esse marco, chegando a 111,9 sacas/hectare. A explicação para essa performance — reconhecida pelo principal prêmio do setor no Brasil — está na tecnologia de ponta de uma startup.

Graças a esse desempenho, a Fazenda Vila Morena, de Boa Vista das Missões, foi a grande vencedora nacional do Desafio da Máxima Produtividade de Soja do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), na categoria Irrigado. Segundo o proprietário Eliseu José Schaedler, o resultado decorre do investimento em irrigação e manejo agronômico, ao lado da escolha de insumos adequados e de cultivares compatíveis com o clima e o solo da região.

A fazenda contou com a consultoria da ConnectFarm, startup que integra tecnologia com os fatores de produção — buscando ampliar a produtividade, otimizar recursos e maximizar a rentabilidade. “Isso dá a certeza de que nosso método entrega produtividade ao produtor rural. Temos tecnologia e somos acessíveis a todos do setor rural”, afirma o agrônomo Rodrigo Dias, CEO da ConnectFarm.

Algoritmos e dados para melhorar performance

Para Schaedler, a inovação foi decisiva para essa conquista. “Estamos muito felizes pelo prêmio, que veio a coroar nosso esforço e trabalho para o aumento de produção. Agradecemos à ConnectFarm, que nos deu suporte técnico, e a toda nossa equipe, que se envolveu para chegarmos a esse resultado”, destaca, acrescentando que a alta produtividade foi construída ao longo da trajetória, iniciada na década de 70.

Com atuação nacional, a ConnectFarm atende mais de 70 produtores do país. Um dos projetos da agrotech é o Índice de Gestão Ambiental (IGA), baseado em um algoritmo que insere atributos do solo, das plantas e do ambiente. O sistema melhora a inteligência à medida que aumenta sua base de dados, permitindo uma recomendação mais assertiva para cada ambiente da propriedade rural.

Segundo o CEO da startup, o big data será cada vez mais empregado pelas propriedades para ampliarem sua produtividade de forma sustentável. "Os dados se tornaram o novo universo do agro. Eles transformam a compreensão dos processos produtivos, mudando expressivamente as fazendas. Criamos um algoritmo capaz de analisar os dados e, a partir disso, entregar cerca de 15% mais em produtividade", aponta Rodrigo Dias.

O agrônomo salienta que está na tecnologia a resposta para um desafio da humanidade: o crescimento de 60% da necessidade alimentar, considerando que a população mundial será de 8,3 bilhões de pessoas em 2030. "Ferramentas como o big data têm a capacidade de nos fazer atingir esse audacioso objetivo. O campo precisa incorporar a tecnologia de ponta o quanto antes", conclui.