Com o objetivo de qualificar as ações, aumentar a rentabilidade e proporcionar melhor qualidade de vida aos produtores, a Regional da Emater/RS-Ascar está desenvolvendo um projeto que visa apresentar novas cultivares de trigo aos agricultores, materiais que estão chegando ao mercado com maior nível de tolerância a doenças, maior teto produtivo e qualidade.

Conforme explica o gerente regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, engenheiro agrônomo, Luciano Schwerz, o projeto trabalha com 17 cultivares de trigo, incluindo materiais da Embrapa, Biotrigo e OR Sementes, que são apresentados em eventos em áreas demonstrativas nas cidades de Rodeio Bonito, Nonoai, Sarandi, Novo Barreiro, São Pedro das Missões, Ronda Alta, Taquaruçu do Sul e Pinheirinho do Vale. “Cada material tem alguma característica que interessa ao produtor, ao moinho, à indústria, e que também contribui para que o agricultor reduza os custos”, comenta.

Por meio do projeto está sendo demonstrada ao produtor, uma cadeia de trigo mais rentável, além da capacitação dos profissionais e interação com as empresas detentoras de sementes e com parceiros, como cooperativas e cerealistas. “Queremos que o produtor tenha, efetivamente, uma experiência mais positiva com o trigo. Hoje, temos uma escassez de milho no mercado e o trigo entra para amenizar esse déficit e até substituir o milho em algumas situações, baixando um pouco o custo de produção de ração”, esclarece.

Schwerz destaca que o Estado ainda tem muito a desenvolver no que diz respeito às culturas de inverno. “No verão são cultivados 6 milhões de hectares de soja no Rio Grande do Sul e, neste ano, 1,1 milhão de hectares de trigo, nos anos anteriores era menos ainda. Entre aveia branca e cevada, temos mais meio milhão de hectares, ou seja, é uma diferença muito grande e podemos ampliar, produzir mais esses cereais”, reforça.

Atualmente, o déficit de milho que o Estado consome chega a 40%. “Esse trigo e outros materiais poderão estar entrando nas fábricas, contribuindo para um alimento mais barato para os animais e, consequentemente, todo o sistema acaba ganhando, reduzindo custos de produção e, lá na ponta, o consumidor também acaba tendo no supermercado um produto mais em conta. Nosso objetivo é qualificar as ações, fazer com que o nosso agricultor faça bem feito e tenha rentabilidade, dinheiro no bolso, para garantir qualidade de vida”, afirma o gerente da Emater Regional de FW.

Trigo na região

Em termos de área de trigo, na área de abrangência do escritório regional da Emater de FW, que contempla 42 municípios, são cultivados em torno de 135 mil hectares de trigo, que têm início da sua janela de semeadura a partir de final de maio, se estendendo até a primeira quinzena de julho. “É uma janela de plantio bastante ampla, e a data preferencial que ocorre o maior volume de semeadura é na primeira quinzena de junho, principalmente, pensando em escapar de geada, e também conseguir colher o trigo no final de outubro e início de novembro, pois ainda fica uma janela boa de plantio da soja”, detalha.

– Quanto às pragas, temos observado que o maior problema está relacionado ao pulgão, que ataca em determinados momentos e é um vetor, acaba transmitindo o VNAC, que é o vírus do nanismo, e é muito importante fazermos o controle. Em termos de doenças, na fase inicial do estabelecimento da cultura até a emissão da espiga, temos uma preocupação muito grande com o oídio e, após a emissão das espigas, temos a giberela que infecciona o tecido vegetal, causando uma má formação do grão. Assim, além do grão não ter peso, compromete o pH, a qualidade, e também leva microtoxinas para dentro da farinha. Outra doença que foi observada na nossa região com mais intensidade é a ferrugem linear, que é natural da Argentina, e que esse ano começou a atacar na nossa região.

Hoje, a região tem um padrão tecnológico bastante diferente, pois o produtor tem investido na cultura do trigo, em ocorrência dos bons preços que estão sendo pagos. “Quanto à rentabilidade, o sistema está bastante positivo, esperamos uma rentabilidade de R$ 4 mil a R$ 4,5 mil por hectare, e um custo de em torno de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil. O pagamento está melhor, em torno de R$ 80 por saco, isso é um valor bastante interessante. De certa forma, o agricultor conseguiu comprar os insumos entre janeiro e fevereiro, então, vamos ter uma safra dentro de um padrão de 55 e 70 sacos, essa é a expectativa de produção na região, com uma média em torno de 59 sacos. Mas muitas lavouras vão passar disso, pois são lavouras que têm potencial produtivo bem maior, e poderão apresentar uma produtividade bem acima disso”, finaliza o gerente regional da Emater.