Os investidores responsáveis pela tirosela de Iraí encaminharam o distrato com a empresa que realizou as manobras de tensionamento dos cabos do empreendimento, em virtude dos dois incidentes que ocorreram durante os trabalhos. Na primeira passagem, ainda no ano passado, houve o rompimento do fio de aço principal, que tem meia polegada de espessura. No dia 31 de janeiro, as presilhas que prendiam o cabo de backup (segurança) se romperam, o que causou a queda do fio na rede de energia, desabastecendo residências próximas ao local.

Conforme a RGE, houve desarme em um alimentador que atende o município de Iraí na manhã do dia 31. “A causa identificada foi o toque acidental do cabo de uma tirolesa com os condutores da rede de distribuição da RGE, o que provocou um curto circuito e o rompimento dos cabos de energia. Imediatamente, através de manobras de carga, a maioria dos clientes teve a energia restabelecida. Os últimos 22 clientes foram religados à tarde, quando a recomposição da rede no local foi concluída”, explicou a companhia em nota.

– Não sabemos ainda se o que ocorreu foi negligência ou imprudência. Não houve nenhum acidente, nenhuma pessoa machucada. Vamos continuar trabalhando, e o que já encaminhamos foi o distrato com a empresa, já na segunda-feira, 4, e vamos contratar outra organização. Não iremos desistir do produto, e novos estudos vão ser realizados –, explicou um dos sócios, Tiago Gadonski.

MP

O Ministério Público, por meio do promotor Fernando Freitas Consul, esteve no local para acompanhar o caso, já que algumas das pessoas afetadas buscaram auxílio do órgão. “Não houve uma ação judicial para interdição das obras. Além de ir ao local, participei de uma reunião de urgência na prefeitura, com representante técnico da RGE e a informação foi de que não havia segurança para realizar o procedimento novamente. Então, foi tomada uma decisão em conjunto em manter o desligamento da rede até que o cabo da tirolesa fosse retirado”, detalhou o promotor.

Apesar da tirolesa ter as autorizações e o projeto aprovado, inclusive, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a orientação do MP foi de que não haja sequência nos trabalhos de instalação até que um novo laudo, a cargo de um engenheiro, seja emitido atestando a capacidade de segurança do empreendimento. “Além disso, quem foi vítima de algum dano material deverá ser indenizado pelos investidores”, observou Consul.