O trabalho que vem sendo desenvolvido pela Cooperativa de Garimpeiros do Médio Alto Uruguai (Coogamai), com sede em Ametista do Sul, é exemplo em âmbito nacional. Ontem, 26, o presidente da entidade, Isaldir Antonio Sganzerla e o engenheiro de Minas, Anderson Oliveira Silva, apresentaram o case da cooperativa no Seminário “Mapeando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) na Mineração Brasileira 2022”.

O evento, promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), através da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM), aconteceu no auditório do ministério, em Brasília, no Distrito Federal. Na ocasião, foram apresentadas ações voltadas para os ODS de empresas e cooperativas selecionadas por associações e entidades de representação do setor mineral, com algumas das melhores práticas do setor de mineração para o desenvolvimento sustentável. O objetivo foi promover e incentivar o surgimento de novas ações e estimular o reconhecimento dessas iniciativas pela sociedade brasileira.

Sobre a Coogamai

A Coogamai foi constituída, em 1990, para legalizar a atividade garimpeira no Médio Alto Uruguai. A instituição é a primeira cooperativa do Brasil no setor. Quando iniciou suas atividades, havia cerca de 300 garimpos irregulares na região. Atualmente, o cenário é diferente, compreendo 1.400 garimpeiros cooperados.

A cooperativa abrange oito municípios, sendo Ametista do Sul, Planalto, Iraí, Frederico Westphalen, Cristal do Sul, Rodeio Bonito, Gramado dos Loureiros e Trindade do Sul. Os garimpos trabalham com a extração de geodos de ametista, calcita, gipsita, zeolita, ágata e quartzo, algo em torno de 470 toneladas mensais, em 27 Permissões de Lavra Garimpeira, que somam mais de 15 mil hectares.

A extração mineral é feita em galerias horizontais, que ultrapassam 200 metros de extensão, gerando, desta forma, menor impacto ao meio ambiente. Tem foco no aprimoramento da atividade e realiza um trabalho de orientação dos cooperados sobre o processo de extração com perfuração a úmido, ventilação da mina, instalação padronizada de energia elétrica, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e boas instalações das áreas de vivência externa dos garimpeiros.

Aprimoramento do método de lavra; implementação de boas práticas de trabalho; de acordo com as normas e legislações da área mineral, ambiental, de saúde e segurança no trabalho têm sido orientações bem recebidas pelos garimpeiros. Promove saúde e qualidade de vida aos cooperados, criando o Fundo de Saúde do Garimpeiro, que contribui para a manutenção da Unidade Regional em Saúde do Trabalhador, em Ametista do Sul, onde são realizados exames e consultas específicas para os garimpeiros que ainda sofrem com a silicose, doença provocada pela forma inadequada de mineração, e que causa inflamação dos pulmões, devido à inação de poeira mineral.

A cooperativa também contribuiu para gerar oportunidades de geração de renda para os cooperados, através da transformação da matéria-prima em diversos produtos, principalmente, para decoração e joias, agregando valor à produção. Cerca de 70% do que é produzido é exportado para o continente asiático.

Além da Coogamai, também foi apresentado o case da Coogavepe, de Peixoto de Azevedo/MT.