Aos 35 anos, Marla Liane Delóss Dziobczenski faz parte do perfil de mulheres que dividem a rotina do dia a dia entre a família e a paixão pelos negócios. Formada em jornalismo pela Unijuí, é natural de Giruá, mas reside em Ijuí desde que iniciou a faculdade. Com uma sensibilidade bastante aguçada para os negócios e sempre atenta às oportunidades e necessidades do mercado, fundou em 2012 a revista Chics&Vips, com a proposta de abranger a Alta Sociedade do Rio Grande do Sul e litoral de Santa Catarina, evidenciando e conectando pessoas e empresas. Casada com o empresário Marcelo Dziobczenski e mãe do Leonardo, de 5 anos, a Bella desta edição não para de se atualizar. Após participar de cursos e congressos com foco em branding e nas tendências digitais, iniciou neste mês um MBA pela ESPM Porto Alegre em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais, além de dedicar-se pelo menos uma vez por semana ao curso de conversação em Inglês. Em entrevista para o caderno Bella, a jornalista e empresária conta sobre sua carreira profissional, estilo de vida e dá dicas para quem pretende empreender.

 

 

O SONHO DE TER O PRÓPRIO NEGÓCIO É ALMEJADO POR MUITAS PESSOAS. DE JORNALISTA VOCÊ PASSOU A SER TAMBÉM EMPRESÁRIA. COMO AVALIA OS DESAFIOS DE ADMINISTRAR UMA EMPRESA E ATUAR COMO PROFISSIONAL AO MESMO TEMPO?

Sempre que ouço que alguém está abrindo a sua empresa, penso: espero que ela tenha conhecimento e condições de encarar os impostos e a burocracia que temos em nosso país para conseguir se manter até se consolidar. O profissional que sai da universidade hoje não tem noção nenhuma de administração, a não ser que faça graduação na área. Então, lança-se no mercado sem o preparo necessário para enfrentar essas questões, que tomam muito tempo. Foi o meu caso, só que ciente disso, busquei informação, uma base para estruturar minha ideia de empresa, o Sebrae foi uma delas. As questões burocráticas consomem atualmente uma significativa parte do meu dia. A outra metade é voltada para a gestão da equipe, finalização das edições da revista impressa, geração de conteúdo – afinal o sangue de jornalista corre nas minhas veias –, também para contatar parceiros e planejar o crescimento da empresa. Ninguém me falou que seria fácil, mas amo o que faço e isso me move como pessoa e profissional.

A SUA GERAÇÃO VEM ACOMPANHANDO MUITAS MUDANÇAS TECNOLÓGICAS, TANTO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS QUANTO NO MUNDO DOS NEGÓCIOS. COMO VOCÊ TEM LIDADO COM ESSA SITUAÇÃO? Minha maior angústia hoje é analisar o quanto o mundo já se transformou nos últimos anos, o quanto ele ainda vai mudar nos próximos e constatar que as pessoas do nosso país, Estado e regiões, não estão percebendo, nem mesmo compreendendo o quão impactante isso está sendo e será em nossas vidas. Estamos nos sentindo realizados pela conexão através das redes sociais, onde opinamos, desabafamos e compartilhamos, mas isso não é nem 1% do que está por vir. Vejo muitas empresas que, se em um futuro próximo não adaptarem seus modelos de negócios, irão submergir diante da avalanche tecnológica que está transformando nosso modo de viver e consumir. Quando passei a estudar mais a fundo sobre essas mudanças, passei a dormir menos. Percebi que o meu próprio modelo de negócios precisava mudar e passei então a me dedicar a essas mudanças.

DE QUE FORMA VOCÊ ACREDITA QUE OS PROFISSIONAIS E EMPRESAS PODEM ABSORVER AS MUDANÇAS DO MERCADO? Tenho acompanhado o encerramento das atividades de jornais impressos e até mesmo revistas nos últimos anos. Só está no mercado hoje quem entendeu as mudanças e se adaptou a elas. E neste caso, as mudanças incluem o conhecimento profundo sobre o seu público, a qualidade das informações/conteúdo e a eficiência na prestação dos serviços. Sempre defendo aos nossos clientes que, todos sabemos de uma forma ou outra usar as redes sociais, postar fotos, criar textos, mas se não houver qualidade, profissionalismo e engajamento, os resultados nunca serão eficientes. Mais do que nunca, é imprescindível investir na qualidade diante da tamanha concorrência atual, independente se você tem um mercadinho na esquina ou uma mega construtora. O cliente não é mais fiel. Ou você encontra um jeito de mantê-lo engajado ou ele comprará no concorrente mais próximo. VOCÊ É UMA MULHER JOVEM, EMPREENDEDORA E COM UMA FAMÍLIA. É POSSÍVEL ATUALMENTE SENTIR-SE REALIZADA EM TODOS OS SENTIDOS? Já me cobrei muito como mãe, profissional e mulher. Nos comparamos com a mãe do coleguinha do filho, com uma ex-colega da faculdade que conseguiu o emprego dos sonhos, com aquela conhecida que está sempre com o corpo em dia e produzida impecavelmente. Mas no meu caso, hoje, com 35 anos, me sinto sábia e extremamente segura por entender que cada mulher tem as suas prioridades. As minhas se baseiam em não necessariamente atingir a perfeição. Sei que sou uma boa esposa, uma boa mãe – não abro mão de fazer tudo pelo meu filho mesmo dentro das minhas possibilidades de tempo -, uma boa profissional e, quando sobra um tempinho, tento cuidar da minha mente e do meu corpo. Acho que sentir-se realizada é não cobrar de si a perfeição, afinal, ninguém pode ser perfeito em tudo. Prefiro valorizar e ser feliz por tudo o que já batalhei e conquistei. PARA VOCÊ, SER BELLA É...? Encontrar o seu equilíbrio ao ponto de sentir-se segura ao usar um scarpin e uma saia lápis para ir trabalhar e um jeans com tênis para ir ao supermercado no sábado à tarde. É cuidar de si de dentro para fora, filtrar somente pensamentos bons e positivos – pessoas também –, manter uma vida saudável e não interiorizar problemas que não são seus. Isso se consegue quando você dá o melhor de si independente da profissão que exerce - mãe, dona de casa, médica ou empresária. O resultado, que chamamos de sucesso, vem quando passamos a perceber que a felicidade está nas pequenas coisas da vida. Significará que você chegou ao seu porto seguro e isso fará com que a sua beleza se exalte naturalmente.