O Governo do Estado e a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) se reuniram no início do mês de agosto, para debater sobre a retomada das aulas presenciais e, entre as datas e modelos discutidos, foi sugerido o retorno gradual de escolas públicas e privadas a partir de 31 de agosto. 

Na proposta inicial, sugere-se primeiramente o retorno de turmas de educação infantil e depois, nos meses consecutivos, do ensino superior, médio e técnico. 

CPERS

O Cpers é um dos maiores e mais atuantes sindicatos do país e representa cerca de 80 mil trabalhadores em educação do RS. E segundo a avaliação do 26º Núcleo do Cpers, que abrange Frederico Westphalen, a pandemia do novo coronavírus traz reflexões importantes na educação e na valorização do ser, da saúde e da segurança.

- Nesta reflexão de adaptação, incluímos toda a comunidade escolar, bem como, professores, técnicos, pais e alunos. Compreendemos que para as direções das escolas, é uma pressão muito grande sobre relatórios, formulários e diagnósticos diários sobre o ensino que está sendo realizado com seus alunos. Nossa categoria está em um processo de adequação às ferramentas digitais e ainda não se tem infraestruturas adequadas que sejam suficientes em nossas escolas para receber os alunos frente a este cenário. O mais importante neste momento é preservar vidas, ou seja, defendemos que é inviável o retorno das aulas presenciais –, frisou a diretora-geral do 26º Núcleo do Cpers, Maria Cleni da Silva. 

A pandemia coloca todos em uma situação vulnerável, principalmente, quando se diz respeito a situações que necessitam maiores aglomerações. Ou seja, com relação a volta às aulas, faz-se necessário espaços maiores e quantidades maiores de profissionais para melhor atender seus alunos com segurança. Uma pesquisa realizada pela Famurs apontou que 94% dos prefeitos do Rio Grande do Sul é contra a volta às aulas presenciais no mês de agosto.

José Cañellas

- É uma situação inusitada, em que todos nós estamos enfrentando juntos, então, o meu posicionamento como gestora, que visualiza de perto o trabalho que está sendo realizado por outros colegas professores, é que é um momento de reinvenção muita brusca. Diariamente são produzidas aulas remotas a distância para enviar aos nossos alunos. Então, inicialmente, começamos esse processo por meio de um contato mais próximo, como por exemplo, e-mails e WhatsApp e somente depois que realmente iniciamos o processo via Classroom -, afirmou a diretora da Escola Técnica José Cañellas, Clarice Carmen Ceolin. 

Para a diretora, é fundamental o fortalecimento dos professores e principalmente, a readequação do cenário atual, com relação a educação. 

- Como gestora, não sou favorável à volta das aulas na realidade que estamos vivendo, pois acredito que colocaria em risco todos os nossos profissionais e alunos. O retorno das aulas agora engloba muitas pessoas e, além das pessoas que frequentam a escola, também atinge demais familiares de cada um. Ou seja, é mais prudente continuarmos no sistema remoto, principalmente, por já estarmos mais familiarizados com esse modelo de ensino, após termos passado por várias transições e aprendizados para nos encaixarmos a este momento. Fortalecer os nossos professores, possibilitar melhores condições de trabalho, principalmente, em termos de tecnologia. E não somente alavancar este recurso, pois sim, é uma promessa do governo, mas como também colocar em prática um aplicativo liberado do Classroom para todos os nossos professores e alunos. É um cenário de muita angústia, mas neste momento, o mais prudente é continuarmos em formato online, com muita proteção e cuidado –, acrescentou. 

Neste sentido, também ouvimos a opinião de uma rede privada, a URI de Frederico Westphalen, para entender e compreender o posicionamento, tanto da rede pública, quanto da rede privada.

URI - FW

- A volta às aulas será uma consequência de uma série de fatores: a autorização das autoridades para que as rotinas sejam reestabelecidas, a consciência de que o retorno exigirá cuidados com a saúde pessoal e dos outros, a preparação adequada dos ambientes e o comportamento de cada indivíduo de respeito ao distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscaras, sem os quais o problema da contaminação poderá ser recorrente. Nesse sentido, a URI vem, desde março, se preparando com protocolos, mudança nos ambientes para garantir o distanciamento social e a tranquilidade do retorno. Obedeceremos ao que as autoridades nos orientarem. Embora o presidente da República tenha autorizado que o ano letivo tenha menos de 200 dias em função da pandemia, a URI cumprirá fielmente os 200 dias -, afirmou a diretora-geral da URI-FW, Silvia Regina Canan.

O cenário que se originou com a pandemia da Covid-19 fez nascer um contexto totalmente novo e diferente que impacta a sociedade em diversos aspectos. Novos formatos foram criados, adaptações foram implementadas, desafios tomaram forma e a educação se reinventa e se transforma, tanto em processos físicos, como onlines.